Visão geral
Mercor é uma startup norte-americana de inteligência artificial fundada em 2023, sediada em San Francisco. A empresa opera um marketplace que conecta especialistas humanos altamente qualificados — como médicos, doutores, advogados, cientistas e engenheiros — a laboratórios de IA líderes para gerar e avaliar dados de treinamento de modelos de linguagem de grande escala (LLMs), incluindo RLHF, avaliações e rubricas. Diferencia-se do data labeling tradicional ao focar em expertise especializada em vez de tarefas genéricas, posicionando-se como solução human-in-the-loop para o desenvolvimento de IA de fronteira. Em 2025, alcançou valuation de aproximadamente US$ 10 bilhões.
O que é a Mercor
Mercor conecta profissionais especializados a projetos de treinamento de IA em grandes laboratórios. A plataforma recruta experts para fornecer feedback, criar dados de alta qualidade e avaliar modelos, indo além do rotulamento simples de dados ao exigir conhecimento profundo em domínios específicos. A empresa enfatiza o papel humano no refinamento de sistemas de IA, com mais de 30 mil contractors já envolvidos em projetos. Em meados de 2025, a empresa reposicionou publicamente seu discurso, deixando de se apresentar como "startup de recrutamento por IA" para se descrever como uma "empresa de dados de treinamento de IA".
Como funciona o modelo de negócio
A Mercor recruta especialistas por meio de sua rede e plataforma, alocando-os em projetos de clientes como laboratórios de IA. Cobra uma taxa por hora de matching e finder's fee, com margem sobre o trabalho dos contractors. A remuneração média para especialistas varia conforme a expertise, frequentemente em faixas competitivas para trabalho remoto e flexível. Cerca de 70-80% da receita é repassada aos contractors. A empresa também sinalizou expansão para infraestrutura de software de reinforcement learning, fornecendo não só a mão de obra humana, mas as ferramentas de avaliação em torno dela.
Fundadores e história
Fundada em 2023 por Brendan Foody (CEO), Adarsh Hiremath (CTO) e Surya Midha (chairman/COO), três amigos de colégio na Bay Area e ex-colegas de equipe de debate. A ideia ganhou forma em um hackathon, e Foody largou Georgetown no segundo ano (primavera de 2023) para tocar a empresa em tempo integral. Os fundadores são apontados como ex-Thiel Fellows — o programa de Peter Thiel que paga jovens para largar a faculdade e empreender (algumas reportagens registram o vínculo, outras não o mencionam). Após a Série C, em outubro de 2025, os três se tornaram os bilionários self-made mais jovens do mundo, cada um detendo cerca de 22% da empresa.
Trajetória bootstrapped
O produto começou como um simples marketplace de talentos com IA, casando engenheiros remotos com empresas — o primeiro cliente pagava US$ 500 por semana por um desenvolvedor, e a Mercor repassava cerca de 70% ao profissional. A empresa foi totalmente bootstrapped até atingir um run rate de aproximadamente US$ 1 milhão em receita (em cerca de nove meses), com lucro reportado na casa de US$ 80 mil, antes de captar investimento externo. Até pouco tempo atrás, a idade média dos funcionários era de cerca de 22 anos.
Rodadas de investimento e valuation
Em fevereiro de 2025, levantou US$ 100 milhões na Série B a valuation de US$ 2 bilhões. Em outubro de 2025, obteve US$ 350 milhões na Série C, elevando o valuation para US$ 10 bilhões — uma quintuplicação em cerca de oito meses. A Série C foi liderada pela Felicis, com participação de Benchmark, General Catalyst e Robinhood Ventures (esta última, nova investidora).
Crescimento e receita
A empresa cresceu rapidamente, passando de cerca de US$ 1 milhão em ARR para US$ 500 milhões em aproximadamente 17 meses — apontada como o crescimento mais rápido já registrado nessa faixa, um mês a menos que o recorde anterior do Cursor (Anysphere). No primeiro semestre de 2025, a receita anualizada se aproximava de US$ 450 milhões, com lucro reportado de poucos milhões no período. Reportagens de 2026 indicam que a empresa cruzou a marca de US$ 1 bilhão em receita anualizada no começo do ano. O crescimento foi impulsionado pela demanda dos laboratórios por dados de treinamento especializados.
Escala e remuneração dos especialistas
A rede da Mercor reúne dezenas de milhares de especialistas (mais de 30 mil contractors reportados pela imprensa; a própria empresa cita números acumulados maiores de vagas criadas). Os pagamentos diários aos profissionais saltaram de cerca de US$ 1,5 milhão por dia, no fim de 2025, para a casa de US$ 2 milhões por dia em 2026 — refletido no título de um post oficial da empresa, "quando você vai de US$ 2 milhões por mês para US$ 2 milhões por dia". A remuneração média citada gira em torno de US$ 82 a 95 por hora, com posições de altíssima especialização (por exemplo, médicos ou tutores de áreas como astrofísica) podendo ultrapassar o equivalente a R$ 1 milhão por ano.
Clientes
Clientes incluem OpenAI, Anthropic, Meta, Google, Amazon, Microsoft e Nvidia. A empresa se beneficiou de mudanças no mercado após o investimento de cerca de US$ 14 bilhões da Meta na Scale AI em 2025 (que também contratou o CEO da Scale): laboratórios como OpenAI e Google DeepMind passaram a se afastar da Scale por receio de conflito de interesse, redirecionando demanda para fornecedores neutros como a Mercor.
Trabalhar na Mercor
A Mercor oferece oportunidades remotas e flexíveis para especialistas em domínios como engenharia, pesquisa, direito, medicina e serviços criativos. As vagas envolvem projetos de treinamento de IA em regime de contrato. Avaliações em plataformas como Glassdoor destacam remuneração competitiva, ritmo acelerado e oportunidades de equity para funcionários, com notas positivas em compensação.
Concorrentes
Principais concorrentes incluem Scale AI (com a divisão Outlier), Surge AI, Turing e Handshake AI, que também conectam talentos a projetos de dados e treinamento de IA, com enfoques variados em escala e especialização. A Surge AI é frequentemente apontada como a rival mais próxima em perfil de cliente e qualidade, tendo crescido de forma bootstrapped para mais de US$ 1 bilhão em receita anual. A Scale AI é a pioneira e mais verticalizada do setor, mas perdeu força junto a alguns laboratórios após o aporte da Meta. Outros nomes no espaço incluem Micro1, Labelbox, Sama e Prolific.
Polêmicas e segurança
Em 31 de março de 2026, a Mercor confirmou um incidente de segurança que expôs dados pessoais de mais de 40 mil contractors — incluindo gravações de entrevistas em vídeo, dados biométricos faciais, capturas de tela e informações de verificação de antecedentes —, além de código-fonte proprietário. O ataque teria origem em um comprometimento de cadeia de suprimentos via a ferramenta open-source LiteLLM. Nas semanas seguintes, a empresa foi alvo de múltiplas ações coletivas (pelo menos cinco contratantes processaram em uma única semana, e relatos apontam sete class actions), que alegam falhas básicas de segurança, como ausência de autenticação multifator e de criptografia de dados sensíveis. Como reação, a Meta teria pausado o trabalho com a Mercor, enquanto OpenAI e Google avaliavam a extensão da exposição. Separadamente, em junho de 2026, o CEO Brendan Foody gerou repercussão ao acusar publicamente firmas de venture capital, incluindo a Sequoia, de uma prática de "dual pricing" — investir a maior parte do capital a um valuation menor e uma fração a um preço muito mais alto para inflar o valuation de manchete. Um sócio da Sequoia rebateu, negando irregularidade.
Contexto: a corrida por dados humanos para IA
A ascensão da Mercor reflete uma virada no gargalo do desenvolvimento de IA: à medida que os laboratórios esgotam os dados públicos da internet e o ganho marginal de mais compute diminui, o diferencial passa a ser o dado humano especializado e de alta qualidade usado no pós-treinamento — ensinar aos modelos aquilo que apenas profissionais de medicina, direito, finanças e ciências dominam. Essa demanda por expertise human-in-the-loop transformou empresas de "dados de treinamento" em peças estratégicas da cadeia de IA. A reorganização do mercado após o caso Meta/Scale AI acelerou a ascensão de fornecedores independentes, e o ritmo do valuation da Mercor — de US$ 2 bilhões a US$ 10 bilhões em cerca de oito meses — ilustra a intensidade dessa corrida.
