Jorge Messias é um advogado e atual Advogado-Geral da União, cargo que ocupa desde 2023 no governo Lula. Conhecido por sua trajetória no núcleo jurídico do Executivo e por sua atuação na defesa do STF, ele foi indicado pelo presidente ao Supremo Tribunal Federal em 2025. Após uma rejeição histórica no plenário do Senado em abril de 2026, o governo anunciou a intenção de reenviar sua indicação, mantendo o impasse político sobre sua nomeação para a Corte.
Jorge Rodrigo Araújo Messias (Recife, 25 de fevereiro de 1980) é um advogado brasileiro, procurador de carreira da Fazenda Nacional e o 16º Advogado-Geral da União (AGU), cargo que ocupa desde 1º de janeiro de 2023 no terceiro governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Em novembro de 2025, foi indicado por Lula ao Supremo Tribunal Federal (STF) para a vaga aberta com a aposentadoria de Luís Roberto Barroso. Após uma sabatina de oito horas, foi aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado, mas rejeitado no plenário em 29 de abril de 2026 por 42 votos a 34 e uma abstenção — a primeira vez desde 1894 que o Senado barra um indicado ao STF. Em 29 de maio de 2026, Lula anunciou que reenviaria o nome de Messias à Casa, reabrindo a disputa.
Nascido no Recife (PE), Messias graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) em 2003. Concluiu mestrado (2018) e doutorado (2024) em Desenvolvimento, Sociedade e Cooperação Internacional pela Universidade de Brasília (UnB). Iniciou a carreira pública como técnico bancário da Caixa Econômica Federal (2002–2006), foi procurador do Banco Central (2006–2007) e atuou no BNDES e no gabinete do senador Jaques Wagner (PT-BA). No governo Dilma Rousseff, foi subchefe para Assuntos Jurídicos da Presidência (Casa Civil). É evangélico, diácono da Igreja Batista de Brasília, e atua como interlocutor do governo com o eleitorado evangélico, participando da Marcha para Jesus desde 2023. Ganhou notoriedade nacional pelo apelido "Bessias", originado de uma gravação vazada em 2016.
Como Advogado-Geral da União, Messias criou a Procuradoria Nacional de Defesa da Democracia e a Procuradoria Nacional de Defesa do Meio Ambiente e do Clima. Defendeu o STF diante de ameaças do governo Trump e atuou no processo dos condenados pelos atos de 8 de janeiro de 2023. Lula reafirmou "irrestrita confiança" nele após a rejeição ao STF.
Terceira indicação de Lula ao STF em seu terceiro mandato, Messias foi sabatinado e aprovado na Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado em 29 de abril de 2026, mas rejeitado no plenário por 42 a 34 votos (eram necessários 41). A rejeição é atribuída à articulação do presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), que defendia o nome de Rodrigo Pacheco. O ministro do STF André Mendonça apoiou a indicação. Em 29 de maio de 2026, durante evento em Sergipe, Lula anunciou o reenvio do nome, classificando a rejeição como "questão simplesmente política".
Messias foi a terceira indicação de Lula ao STF neste mandato, depois de Cristiano Zanin e Flávio Dino. Anunciado em novembro de 2025 para a cadeira deixada por Barroso — que reúne acervo expressivo, incluindo processos remanescentes da Lava Jato —, o nome ficou mais de quatro meses à espera de análise. O presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), resistiu à escolha desde o início, por defender o senador Rodrigo Pacheco (PSD-MG) para a vaga, e chegou a se recusar a receber o indicado.
Aprovado na CCJ, Messias foi derrubado horas depois no plenário, em votação secreta: 42 votos contrários, 34 favoráveis e uma abstenção, sete a menos que os 41 necessários. Foi a primeira rejeição de um indicado presidencial ao STF desde 1894, quando o Senado barrou cinco escolhas do marechal Floriano Peixoto. A derrota foi atribuída à articulação silenciosa de Alcolumbre, que, segundo relatos à imprensa, pediu a pelo menos dois senadores que votassem contra. Segundos antes de anunciar o resultado, o presidente do Senado previu, em fala captada pela TV Senado, que Messias "vai perder por oito" — exatamente a margem final. Sua assessoria confirmou a autoria e atribuiu o acerto à "experiência" do parlamentar.
Messias contou com a mobilização aberta de ministros do STF — André Mendonça, Kassio Nunes Marques, Gilmar Mendes e Cristiano Zanin — e de lideranças religiosas, o que parte do Senado leu como ingerência da Corte no Legislativo. Do outro lado, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) declarou voto contrário e questionou a atuação de Alexandre de Moraes no julgamento que condenou seu pai, Jair Bolsonaro.
A rejeição aprofundou a crise entre Executivo e Legislativo em ano eleitoral e foi lida como vitória de Alcolumbre, mas de saldo ambíguo: analistas apontaram que o presidente do Senado terá de administrar o "efeito rebote" — eventual perda de indicações que mantém na máquina federal e o desgaste com a base bolsonarista, que não é sua aliada natural. O resultado também foi creditado ao fortalecimento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, que deu fôlego à direita para enfrentar Lula e o STF. Após a derrota, Messias chegou a manifestar a interlocutores a intenção de deixar a AGU, mas Lula reafirmou "irrestrita confiança" e pediu sua permanência.
Em 29 de maio de 2026, em evento de investimentos da Petrobras em Laranjeiras (SE), Lula anunciou que reenviaria o nome de Messias ao Senado: "Eu vou mandar o Messias outra vez. E vou mandar por respeito à função presidencial. Sou eu que indico." Disse ter ficado "triste" e classificou a rejeição como "uma questão simplesmente política", não técnica.
O reenvio, porém, esbarra em um obstáculo regimental. Uma norma editada pelo Senado em 2010, na gestão de José Sarney, veda a reapreciação, na mesma sessão legislativa, de uma autoridade já rejeitada pela Casa. Na prática, se Lula reapresentar formalmente a indicação ainda em 2026, Alcolumbre pode arquivá-la de ofício, sem nova votação. Por isso, o Planalto diverge sobre o momento: enviar agora, para fazer valer a prerrogativa presidencial mesmo sob risco de arquivamento, ou esperar a próxima sessão legislativa — já depois das eleições de outubro de 2026 —, quando a correlação de forças no Senado pode ser menos adversa. Messias teria dito a aliados estar pronto para concorrer novamente.
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