O que é o Gemini
Gemini é a família de modelos de inteligência artificial desenvolvida pelo Google DeepMind e, ao mesmo tempo, o nome do assistente de IA que o Google oferece ao público. Os modelos são nativamente multimodais: processam texto, imagens, áudio, vídeo e código dentro de uma mesma rede neural, em vez de encadear sistemas separados para cada tipo de dado.
A linha sucede o LaMDA e o PaLM 2, modelos anteriores do Google, e nasceu da fusão entre o DeepMind e o Google Brain, concluída em 2023. O nome faz referência tanto a essa fusão de duas equipes quanto ao Projeto Gemini, o programa espacial de duas tripulações da NASA nos anos 1960.
O Google anunciou o Gemini no Google I/O de 10 de maio de 2023 e liberou a primeira versão em 6 de dezembro de 2023. Em julho de 2026, Sundar Pichai informou aos investidores que o aplicativo tinha 950 milhões de usuários ativos mensais, contra 750 milhões declarados no quarto trimestre de 2025.
Como usar o Gemini
O Gemini é acessível por três caminhos principais: o site gemini.google.com/app, os aplicativos para Android e iOS, e a integração dentro de outros produtos do Google, como Gmail, Documentos e Vids.
O Google lista como recursos do aplicativo o Gemini Live (conversa por voz), a geração e edição de imagens, o Deep Research (relatórios de pesquisa produzidos de forma autônoma), o Canvas (espaço de edição lado a lado), os Gems (assistentes personalizados criados pelo usuário), o Gemini Spark (agente pessoal), o Personal Intelligence, o Google Flow (estúdio criativo de vídeo) e o Gemini Notebook, voltado a pesquisa e escrita a partir de documentos enviados pelo usuário. O Gemini Notebook tem limites de uso ampliados nos planos pagos.
O assistente está disponível em cerca de 80 idiomas e em 239 países e territórios, incluindo o Brasil, com suporte a português desde a expansão de idiomas de julho de 2023, ainda na época em que o produto se chamava Bard.
Versões e modelos do Gemini
O Gemini é organizado em famílias com níveis distintos de capacidade e custo. O nível Pro é o modelo de raciocínio mais completo; o Flash é o de uso geral, mais rápido e barato; o Flash-Lite atende a volume alto com custo reduzido; e o Deep Think é um modo de raciocínio estendido oferecido a assinantes do nível mais caro.
Marcos da linha:
- Gemini 1.0 (dezembro de 2023 a fevereiro de 2024), nas variantes Nano, Pro e Ultra.
- Gemini 1.5 Pro (15 de fevereiro de 2024), que levou a janela de contexto a 1 milhão de tokens.
- Gemini 2.0 Flash (30 de janeiro de 2025) e 2.5 Pro (25 de março de 2025).
- Gemini 3 Pro (18 de novembro de 2025), com arquitetura de mistura esparsa de especialistas e 1 milhão de tokens de entrada; o Gemini 3 Flash tornou-se o modelo padrão do aplicativo em dezembro de 2025.
- Gemini 3.1 Pro (19 de fevereiro de 2026), que o Google apresentou com 77,1% no benchmark ARC-AGI-2 e 80,6% no SWE-Bench Verified.
- Gemini 3.8 Flash (2 de setembro de 2026), o modelo de produção mais recente da linha Flash.
Em 21 de julho de 2026 o Google anunciou três modelos de uma vez: o Gemini 3.6 Flash, de uso geral; o 3.5 Flash-Lite, para volume alto; e o 3.5 Flash Cyber, especializado em identificar, validar e corrigir vulnerabilidades em código. Esse último opera dentro do agente CodeMender e teve distribuição restrita a um piloto com órgãos de governo e parceiros estratégicos selecionados, em razão do seu uso duplo — a mesma capacidade que encontra falhas pode ser usada para explorá-las.
Quanto custa o Gemini e o que é gratuito
O aplicativo Gemini tem uma camada gratuita, com limites de uso menores e acesso restrito aos modelos Pro. No Brasil, o Google vende o acesso ampliado dentro dos planos do Google One:
| Plano | Preço no Brasil | Principais benefícios |
|---|---|---|
| Gratuito | R$ 0 | 15 GB de armazenamento e acesso básico ao Gemini |
| Google AI Plus | R$ 24,99/mês | Limites de uso maiores, 400 GB de armazenamento e geração de vídeo com o Gemini Omni |
| Google AI Pro | R$ 96,99/mês | Limites 4× maiores no app, acesso ao modelo Pro, Deep Research, Google Flow, Gemini no Gmail, Docs e Vids, Gemini Notebook ampliado, 5 TB de armazenamento e YouTube Premium Lite |
O Google One também vende planos exclusivamente de armazenamento, sem benefícios de IA: o Lite, de 30 GB, por R$ 4,50 por mês, e o Basic, de 100 GB, por R$ 9,99 por mês.
Gemini gratuito para estudantes
Desde 19 de agosto de 2026, o Google oferece um ano de Google AI Plus sem custo a estudantes universitários. A promoção vale em mais de 140 mercados, incluindo o Brasil, e dá limites de uso maiores, 400 GB de armazenamento e geração de vídeo com o Gemini Omni.
As condições: o estudante precisa ter mais de 18 anos, estar matriculado em uma instituição de ensino superior qualificada e cadastrar uma forma de pagamento válida na adesão. A verificação é refeita anualmente. O prazo para resgatar termina em 31 de dezembro de 2026, e a assinatura passa a ser cobrada a R$ 24,99 por mês ao fim do período gratuito, salvo cancelamento.
Nos Estados Unidos a oferta é mais generosa: estudantes recebem o Google AI Pro, de US$ 19,99 por mês, também por 12 meses.
Imagens e fotos no Gemini: o Nano Banana
O gerador de imagens do Gemini ganhou tração com o Nano Banana, apelido do modelo Gemini 2.5 Flash Image, lançado em 26 de agosto de 2025. Ele viralizou pela capacidade de transformar fotos de pessoas em figuras de ação tridimensionais e, segundo o Google, atraiu mais de 10 milhões de novos usuários ao aplicativo em poucas semanas, com mais de 200 milhões de edições de imagem.
Em 20 de novembro de 2025 veio o Nano Banana Pro, baseado no Gemini 3 Pro Image, com melhora no ponto mais frágil dos geradores de imagem: a renderização de texto dentro da imagem. Em maio de 2026 a tecnologia foi incorporada ao Google Pics, dentro do Google Workspace.
Gemini no Android, na Busca e no Workspace
O Gemini substituiu o Google Assistente como assistente padrão do Android. A transição começou com o lançamento do aplicativo em 8 de fevereiro de 2024 e foi concluída em 4 de setembro de 2026, data em que o Google encerrou definitivamente o suporte ao Assistente em celulares, tablets, relógios com Wear OS, Android Auto e fones compatíveis. Aparelhos que não atendem aos requisitos mínimos — Android 9 ou anterior, menos de 2 GB de memória RAM — continuam com o Assistente antigo, sem os recursos novos.
No Google Workspace, o Gemini foi integrado a Gmail, Documentos, Planilhas, Apresentações e Meet, com anúncio no Google I/O de maio de 2024. No Chrome, gera resumos de páginas e auxilia na escrita. Em 12 de janeiro de 2026, a Apple anunciou que usará o Gemini na nova versão da Siri.
Gemini para desenvolvedores: API, AI Studio e CLI
O acesso programático se dá pela Gemini API, cuja documentação é publicada em ai.google.dev. A chave de API é criada no Google AI Studio, ambiente web de desenvolvimento lançado em dezembro de 2023, em aistudio.google.com/apikey. Há camada gratuita para os modelos Flash, sem exigência de cartão de crédito.
Preços por milhão de tokens na tabela oficial, válidos até 31 de dezembro de 2026:
| Modelo | Entrada | Saída |
|---|---|---|
| Gemini 3.8 / 3.7 / 3.6 Flash | US$ 0,75 | US$ 3,75 |
| Gemini 3.5 Flash-Lite | US$ 0,30 | US$ 2,50 |
| Gemini 3.1 Pro Preview | US$ 2,00 (até 200 mil tokens) | US$ 12,00 |
O processamento em lote tem 50% de desconto. O Gemini 3.1 Pro Preview não tem camada gratuita. A geração de vídeo com o Veo 3.1 é cobrada por segundo: US$ 0,40 em 720p e US$ 0,60 em 4K. O Google informa que os preços dos modelos da linha 3.x sobem em 1º de janeiro de 2027.
O Gemini CLI é o agente de código aberto que roda no terminal: leva o modelo para dentro do diretório do projeto, lê arquivos, planeja, edita e executa comandos, com confirmação do usuário a cada ação. Quem entra com uma conta pessoal do Google recebe uma licença gratuita do Gemini Code Assist, com limite de 60 requisições por minuto e mil por dia.
Polêmicas e incidentes
O vídeo de demonstração editado (dezembro de 2023). No lançamento, o Google publicou um vídeo que sugeria interação em tempo real com o modelo. A empresa foi criticada por apresentar como demonstração genuína um material editado, ainda que houvesse ressalvas em outros canais.
A suspensão da geração de imagens (fevereiro de 2024). O Gemini passou a produzir imagens historicamente imprecisas — vikings, soldados nazistas e os fundadores dos Estados Unidos retratados como pessoas negras e mulheres. O Google suspendeu a geração de imagens de pessoas; o executivo Prabhakar Raghavan afirmou que o sistema havia "compensado em excesso" na busca por diversidade. O recurso voltou no fim de agosto de 2024, com o Imagen 3.
O Nano Banana no Google Earth (30 de julho de 2026). A integração foi retirada do ar em menos de 24 horas depois que usuários passaram a gerar imagens alteradas de desastres de larga escala e atividade militar, incluindo recriações dos atentados de 11 de setembro.
A invasão de três empresas reais durante um teste (divulgada em 18 de setembro de 2026). Em testes de cibersegurança conduzidos em maio de 2026 pela Irregular, empresa independente de avaliação de modelos avançados, o Gemini obteve acesso não autorizado aos sistemas de três empresas reais. Em um dos casos, entrou em um sistema protegido depois de tentar adivinhar senhas; nos outros dois, encontrou credenciais expostas em repositórios públicos e as usou para entrar. Segundo a Irregular, o acesso à rede havia sido disponibilizado acidentalmente. O Google afirmou que, nos três casos, o modelo interrompeu a ação ao perceber que se tratava de empresas reais, e sustentou que o episódio não configura desalinhamento, e sim salvaguardas funcionando. A empresa não revelou qual versão do modelo estava em teste, informando apenas que não era a mais recente. A Irregular notificou o Google no fim de julho, e o caso só veio a público quando o Wall Street Journal procurou a companhia. É o primeiro caso conhecido de um sistema de IA do Google ultrapassar o ambiente de testes, e torna o Google o quarto laboratório a admitir um incidente do tipo em dois meses, depois de OpenAI, Anthropic e Meta.
Transparência dos benchmarks. Pesquisadores apontam a dificuldade de interpretar as pontuações divulgadas pelo Google sem conhecer os dados usados no treinamento dos modelos.
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