Visão geral
A Bayer é um grupo alemão de medicamentos, produtos de saúde ao consumidor e insumos agrícolas, com sede em Leverkusen. Fundada em 1863, criou a Aspirina e, desde junho de 2018, é dona da americana Monsanto, fabricante do herbicida Roundup, à base de glifosato. Tinha 87.830 funcionários em 30 de junho de 2026. O presidente-executivo é o americano Bill Anderson, no cargo desde junho de 2023.
A compra da Monsanto trouxe para a Bayer dezenas de milhares de processos nos Estados Unidos de pessoas que atribuem ao Roundup um tipo de câncer, o linfoma não Hodgkin. Em novembro de 2026, cerca de 65 mil casos seguem pendentes. A empresa ganhou na Suprema Corte americana em junho de 2026, venceu em outubro o primeiro júri depois dessa decisão e espera a aprovação final de um acordo coletivo de US$ 7,25 bilhões.
Divisões e o que a Bayer vende
A Bayer tem três divisões:
- Crop Science (ciência agrícola): sementes, biotecnologia e defensivos agrícolas, como herbicidas, fungicidas e inseticidas. É a maior divisão; respondeu por 48,8% das vendas em 2023.
- Pharmaceuticals (farmacêutica): medicamentos de prescrição, como o Nubeqa (câncer de próstata) e o Kerendia (doença renal associada ao diabetes). Foram 38% das vendas em 2023.
- Consumer Health (saúde do consumidor): remédios sem prescrição e cuidados pessoais, como Aspirina e Bepantol. Foram 12,7% das vendas em 2023.
Em julho de 2026, a Bayer vendeu uma participação minoritária no negócio de contraceptivos para a gestora Apollo, numa operação de 3 bilhões de euros, e manteve o controle da unidade.
Resultados do 3º trimestre de 2026
Em 3 de novembro de 2026, a Bayer elevou a projeção de lucro para o ano. A meta de Ebitda ajustado, a câmbio constante, passou de 9,6 a 10,1 bilhões de euros para 9,8 a 10,3 bilhões. A empresa também reduziu em 1 bilhão de euros a projeção de dívida financeira líquida no fim do ano, para 28 a 29 bilhões.
No trimestre de julho a setembro:
- Grupo: vendas de 10,05 bilhões de euros (alta de 4,1%), Ebitda ajustado de 1,62 bilhão (alta de 6,9%) e prejuízo líquido de 672 milhões de euros, menor que o de 963 milhões do mesmo período de 2025.
- Farmacêutica: vendas de 4,68 bilhões de euros (alta de 8%) e Ebitda ajustado de 1,29 bilhão (alta de 23,6%), com margem de 27,6%. As vendas do Nubeqa subiram 58,3% e as do Kerendia, 64,9%. A Reuters registrou que as vendas superaram em 5% a previsão dos analistas.
- Crop Science: vendas de 3,88 bilhões de euros (alta nominal de 0,7% e queda de 2,4% em bases ajustadas) e Ebitda de 101 milhões de euros, queda de 41,3% sobre os 172 milhões de um ano antes. A empresa citou clima desfavorável e entraves regulatórios na Europa, Oriente Médio, África e Ásia-Pacífico. A América Latina vendeu 2,13 bilhões de euros, cerca de 55% da divisão no trimestre. As vendas de glifosato caíram 5,3%, sobretudo na Europa.
"Chegamos a um ponto de inflexão na trajetória de crescimento da divisão farmacêutica", disse Bill Anderson.
História
A empresa nasceu em 1º de agosto de 1863 em Barmen, hoje parte de Wuppertal, como fábrica de corantes de Friedrich Bayer e do tintureiro Johann Friedrich Weskott. Em 1899, lançou o ácido acetilsalicílico com a marca Aspirina. Entre 1898 e 1910, vendeu heroína como remédio contra a tosse.
Em 1925, a Bayer se fundiu com outras cinco empresas químicas alemãs e formou a IG Farben, que colaborou com o regime nazista e o Holocausto. Depois da Segunda Guerra, os Aliados confiscaram e dividiram a IG Farben. A Bayer voltou a existir em 1951 como Farbenfabriken Bayer AG e adotou o nome Bayer AG em 1972.
Nas décadas seguintes, a empresa concentrou-se em saúde e agricultura. Comprou a Schering, de Berlim, por 14,6 bilhões de euros em 2006. Em 2014, fechou a compra da área de saúde do consumidor da americana Merck & Co. por US$ 14,2 bilhões. Em 2015, separou a divisão de plásticos, que virou a Covestro.
A compra da Monsanto
A Bayer acertou a compra da Monsanto em 2016. A União Europeia aprovou o negócio em 21 de março de 2018, e os Estados Unidos, em 20 de maio. A operação foi concluída em 7 de junho de 2018, por cerca de US$ 62,5 bilhões. Para obter as aprovações, a Bayer vendeu ativos agrícolas à BASF.
Com a Monsanto, a Bayer passou a ser uma das maiores empresas de sementes e defensivos do mundo, e herdou os processos contra o Roundup. O primeiro veredito contra o herbicida, em 2018, derrubou as ações em cerca de 14%. Em 2023, o valor de mercado da Bayer tinha caído mais de 60% desde o anúncio da compra, e a empresa valia menos da metade do que pagou pela Monsanto.
Processos do Roundup e do glifosato nos EUA
Os autores das ações dizem que o glifosato do Roundup causou linfoma não Hodgkin. A Bayer nega e cita as avaliações da Agência de Proteção Ambiental americana (EPA), que consideram o produto seguro quando usado conforme o rótulo. Até outubro de 2026, os processos custaram à empresa mais de US$ 11 bilhões.
O acordo de US$ 7,25 bilhões. Em fevereiro de 2026, a Bayer propôs um acordo coletivo para resolver a maior parte dos casos atuais e futuros, com pagamentos ao longo de até 21 anos. O juiz Tim Boyer, do tribunal estadual de St. Louis, no Missouri, deu a aprovação preliminar em março de 2026. O prazo para sair do acordo terminou em 4 de junho. A Bayer pode desistir se a adesão ficar abaixo do esperado, e Anderson disse que ela precisa estar "muito perto" de 100%. Em novembro de 2026, a aprovação final segue pendente.
A Suprema Corte. Em 25 de junho de 2026, no caso Monsanto v. Durnell, a Suprema Corte dos EUA decidiu por 7 votos a 2 que a lei federal de pesticidas (FIFRA) impede ações estaduais que acusam o fabricante de não pôr um alerta de câncer num rótulo aprovado pela EPA. O voto da maioria foi do juiz Kavanaugh; a juíza Jackson divergiu. A decisão reverteu uma condenação do Missouri e fechou o principal caminho dos processos.
O júri de St. Louis. Em 29 de outubro de 2026, um júri de St. Louis rejeitou por unanimidade as ações de três mulheres, Theresa Aretino, Cynthia Fernandez e Betty Larkin, que atribuíam seus linfomas ao Roundup. Elas tinham saído do acordo coletivo e alegavam defeito de concepção, negligência e fraude, teses que sobraram depois da Suprema Corte. Foi o primeiro julgamento depois da decisão de junho. No dia seguinte, as ações da Bayer subiram até 5,2% em Frankfurt.
A Bayer no Brasil
A subsidiária brasileira é a Bayer S.A. A América Latina é a principal região da Crop Science: no 3º trimestre de 2026, respondeu por cerca de 55% das vendas da divisão, com alta de sementes de milho e soja. Segundo a direção da Crop Science na região, os custos dos processos nos EUA não comprometem os planos de investimento na América Latina.
O glifosato também é questionado na Justiça brasileira. Em maio de 2026, o Ministério Público do Trabalho pediu à Justiça a proibição do herbicida no país. Em setembro de 2026, a 7ª Vara do Trabalho de Brasília suspendeu por 90 dias o registro de novos agrotóxicos à base de glifosato e mandou a Anvisa e o Ibama avaliarem os produtos já vendidos. A Bayer sustenta que reguladores de vários países, inclusive do Brasil, concluíram que o glifosato pode ser usado com segurança e não causa câncer.
No Cade, a Superintendência-Geral recomendou em julho de 2026 a condenação de empresas do grupo por condutas anticoncorrenciais na obtenção e multiplicação de sementes de soja e no licenciamento de biotecnologias de soja. O processo começou em 2018 e vai ao Tribunal Administrativo do Cade.
Quem comanda a Bayer
Bill Anderson assumiu como presidente-executivo em junho de 2023, no lugar de Werner Baumann, que conduziu a compra da Monsanto. Anderson implantou o modelo "Dynamic Shared Ownership", que eliminou grande parte dos cargos de gerência; só no primeiro semestre de 2024, a Bayer cortou 3.200 vagas. Anderson prometeu "conter significativamente" o passivo dos processos do Roundup até o fim de 2026. O presidente do conselho de supervisão é Norbert Winkeljohann.
Linha do tempo
- 1º de agosto de 1863: fundação em Barmen, na Alemanha.
- 1899: lançamento da Aspirina.
- 1925: a Bayer entra na IG Farben.
- 1951: a Bayer é refundada depois da divisão da IG Farben.
- 2006: compra da Schering.
- 2015: separação da Covestro.
- 7 de junho de 2018: conclusão da compra da Monsanto.
- Junho de 2023: Bill Anderson assume como presidente-executivo.
- Fevereiro de 2026: proposta de acordo de US$ 7,25 bilhões para os processos do Roundup.
- Março de 2026: aprovação preliminar do acordo em St. Louis.
- 25 de junho de 2026: a Suprema Corte dos EUA decide a favor da Monsanto no caso Durnell.
- Julho de 2026: venda de fatia minoritária do negócio de contraceptivos à Apollo; Cade recomenda a condenação do grupo no caso das sementes de soja.
- Setembro de 2026: a Justiça do Trabalho suspende por 90 dias novos registros de glifosato no Brasil.
- 29 de outubro de 2026: júri de St. Louis decide a favor da Bayer.
- 3 de novembro de 2026: a Bayer eleva a projeção de lucro de 2026.
Perguntas frequentes
De onde é a Bayer?
Da Alemanha. A sede fica em Leverkusen, no estado da Renânia do Norte-Vestfália.
A Bayer é dona da Monsanto?
Sim. A Bayer concluiu a compra da Monsanto em 7 de junho de 2018, por cerca de US$ 62,5 bilhões, e a Monsanto passou a ser uma subsidiária do grupo.
O que é o processo do Roundup?
São ações nos EUA de pessoas que atribuem ao glifosato do Roundup o linfoma não Hodgkin. Cerca de 65 mil seguem pendentes. A Bayer nega o risco e propôs um acordo de US$ 7,25 bilhões, que aguarda aprovação final na Justiça do Missouri.
Quem é o presidente da Bayer?
Bill Anderson, presidente-executivo desde junho de 2023.
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