Reino Unido descarta reparações por escravidão, mas sinaliza desculpas
O Reino Unido descarta pagar reparações pela escravidão, mas o primeiro-ministro Andy Burnham diz estar aberto a pedidos formais de desculpas em nome do Estado britânico.
Pontos principais
- Ed Miliband, secretário de Relações Exteriores, disse à BBC que pagar reparações pela escravidão não é viável e que o governo não mudará de posição.
- O primeiro-ministro Andy Burnham afirma, em artigo no The Guardian de 30 de outubro, não acreditar que britânicos de hoje possam ser responsabilizados por injustiças de outra era, sob outras leis e sem participação pessoal deles.
- Burnham propõe um diálogo estruturado com os países afetados pelo tráfico transatlântico, em que ouvirá pedidos de desculpas formais em nome do Estado britânico, e diz estar aberto a eles.
- Burnham afirma que o custo do serviço da dívida dos países mais pobres e vulneráveis está no nível mais alto em mais de 25 anos, e que mais de 40% desses países gastam mais com juros do que com saúde.
- Burnham quer lançar uma nova frente sobre dívida, para que esses países paguem em prazos mais longos e com juros melhores, e pediu a Gordon Brown, que estará na Chogm, que ajude no trabalho.
- A discussão ocorre após o Rei Charles III expressar remorso diante de crescentes pedidos por reparações.
O secretário de Relações Exteriores do Reino Unido, Ed Miliband, reafirmou em entrevista à BBC que o governo não pretende alterar sua posição sobre reparações pela escravidão. A posição é a mesma defendida pelo primeiro-ministro Andy Burnham, que, em Antígua, participa da cúpula de chefes de governo da Commonwealth (Chogm).
Burnham separa a recusa a indenizações do reconhecimento do passado. Para ele, o caminho é trabalhar com a família de nações da Commonwealth, e ele expressa tristeza e pesar pelo sofrimento causado pelo tráfico transatlântico de pessoas escravizadas, cujo legado, segundo ele, ainda molda o mundo atual.
