Acionistas da Lindt pressionam por mudanças no conselho após queda nas ações
Investidores da suíça Lindt & Spruengli pedem mudanças no conselho após erros de precificação e a demissão do CEO Adalbert Lechner.
Pontos principais
- Ações da Lindt caíram cerca de 25% em 2026 após revisões para baixo nas perspectivas e fraco desempenho na Europa.
- Adalbert Lechner foi demitido no mês passado após dois alertas sobre vendas em 2026; Dieter Weisskopf é o CEO interino.
- Ernst Tanner, 80 anos, preside o conselho há 32 anos; ele detém 2,3% das ações, e duas caixas de pensão que preside têm mais de 15% dos votos.
- Segundo a Ethos, principal consultoria de acionistas da Suíça, só três dos oito conselheiros são independentes.
- Entre cinco grandes investidores entrevistados, apenas um apoia o conselho atual.
- Tanner reconheceu que a Lindt avaliou mal a disposição dos consumidores em pagar após reajustes de 19% em 2025 e 12% no primeiro semestre de 2026.
- A Lindt informou que o conselho iniciou a busca por um novo CEO e prevê nomear o sucessor no segundo trimestre de 2027.
A fabricante suíça de chocolates Lindt & Spruengli enfrenta cobrança por mudanças na governança após erros de precificação que pesaram sobre as ações. Ingo Speich, da Deka, diz que “a renovação não pode se limitar à diretoria executiva. Ela também deve ocorrer no conselho” e que “a atual concentração de poder deve ser abolida”. Vincent Kaufmann, da Ethos, afirma que trocar o CEO não resolve questões que dizem respeito ao próprio conselho. Um dos 20 maiores acionistas, sob anonimato, diz que o conselho divide a responsabilidade pelos erros, precisa de “sangue novo” e tem seis conselheiros com pelo menos 70 anos.
A previsão de crescimento orgânico foi cortada para 0% a 2%, bem abaixo da média de 10,9% dos últimos cinco anos. A Lindt reafirmou a meta de 6% a 8% de crescimento anual de vendas no médio e longo prazo, mas investidores consideram difícil atingi-la. Outro investidor do top-20 defende os reajustes, essenciais para proteger as margens, e um terceiro cita os remédios GLP-1 para perda de peso, que podem reduzir o consumo de chocolate. A empresa diz que o conselho revisa regularmente sua composição e que o planejamento de sucessão faz parte do seu trabalho. Tanner, que não comentou as críticas, afirma que não vai deixar o cargo e que sua prioridade é recolocar a empresa nos trilhos.
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