Reino Unido inicia diálogo sobre pedido de desculpas pela escravidão
O primeiro-ministro Andy Burnham propõe um diálogo estruturado com os países afetados pelo tráfico transatlântico de escravizados, diz estar aberto a um pedido formal de desculpas e descarta reparações financeiras.
Pontos principais
- Burnham levará o tema à cúpula de chefes de governo da Commonwealth (Chogm), em Antígua e Barbuda, onde pretende lançar o diálogo.
- Burnham diz querer expressar pesar e arrependimento pelo sofrimento de milhões de pessoas no tráfico transatlântico de escravizados.
- Burnham diz estar aberto a pedidos de desculpas formais em nome do Estado britânico, mas não anuncia um pedido nem define seu formato.
- Burnham descarta reparações financeiras: não acredita que britânicos de hoje possam ser responsabilizados por erros históricos cometidos em outra época, sob outras leis, em que não tiveram participação pessoal.
- Burnham anuncia uma nova iniciativa sobre dívida para os países mais pobres e vulneráveis, com parceiros globais, para que paguem em prazos mais longos e com juros melhores; Gordon Brown, que estará na Chogm, foi chamado pelo governo para ajudar no trabalho.
- Segundo Burnham, o custo do serviço da dívida desses países está no nível mais alto em mais de 25 anos, e mais de 40% deles gastam mais com juros do que com saúde.
O primeiro-ministro britânico, Andy Burnham, apresentou o diálogo em artigo de opinião publicado no The Guardian em 30 de outubro, no qual o trata como parte de uma renovação da relevância da Commonwealth em uma nova era. Burnham não fixa prazo nem formato para um eventual pedido de desculpas.
Segundo o governo britânico, a participação direta dos países afetados é um passo essencial para que o reconhecimento histórico seja duradouro e significativo para as relações diplomáticas futuras. Burnham também lembra que, em votação no Free Trade Hall, em 1862, trabalhadores do algodão de Manchester decidiram não manusear algodão colhido por escravizados, e diz que se inspira neles para o novo diálogo.
