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Livro revela caso de justiça medieval em Dijon de 1472

Obra de Sara McDougall reconstrói a denúncia de Jehanne, vítima de violência sexual em 1472, desafiando teses sobre a marginalização medieval.

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Foto: G1 Mundo
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31/10 às 09:31, atualizado 11:45

Pontos principais

  • O livro 'Justice for Jehanne', de Sara McDougall, investiga registros judiciais de 1472 em Dijon, França.
  • Jehanne, uma mulher pouco conhecida na localidade, denunciou um ataque de mercenários e buscou justiça.
  • O investigador Jaques Borestel realizou interrogatórios detalhados com vizinhos para apurar o caso.
  • A obra contesta a tese de que sobreviventes medievais eram sistematicamente marginalizadas.
  • Os agressores foram libertados após autoridades ducais alegarem que eram clérigos, sujeitos à lei eclesiástica.

A historiadora Sara McDougall examinou 70 páginas de arquivos municipais de Dijon, na França, para reconstruir a batalha judicial de uma mulher chamada Jehanne. No inverno de 1472, Jehanne, que era pouco conhecida na comunidade local, denunciou uma tentativa de violência sexual cometida por mercenários. O caso, ocorrido em meio ao conflito entre o duque da Borgonha e o rei da França, foi documentado pelo investigador Jaques Borestel, que percorreu a cidade interrogando vizinhos e obteve a confissão dos agressores.

A obra desafia a crença histórica de que sobreviventes de violência sexual na Idade Média eram invariavelmente marginalizadas ou forçadas à prostituição. O desfecho do processo foi frustrado quando autoridades ducais intervieram, alegando que os mercenários pertenciam ao clero e estariam sujeitos apenas a leis eclesiásticas. Segundo a Princeton University Press, o estudo de McDougall oferece uma nova perspectiva sobre a agência feminina e o funcionamento do sistema judiciário no século 15, demonstrando que a vítima buscou reparação legal mesmo diante de riscos significativos.

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