Em Fiji, avaliação vê pouca base para o 'bluetoothing' como motor do HIV
Em Suva, capital de Fiji, pesquisadores do Instituto Kirby encontram pouca base para o 'bluetoothing' como causa do surto e apontam o compartilhamento de seringas, por falta de material estéril, entre as vias de transmissão.
Pontos principais
- Fiji declarou estado de emergência nacional devido ao aumento acelerado de casos de HIV.
- Os pesquisadores definem o 'bluetoothing' como retirar sangue de quem acabou de se injetar e reinjetá-lo em outra pessoa.
- Dos 56 entrevistados que injetam drogas, só dois relataram ter praticado o 'bluetoothing' e quatro disseram ter presenciado.
- Todos os 56 entrevistados disseram ter compartilhado seringa com outra pessoa ao menos uma vez.
- Os pesquisadores afirmam que o koda, que usa sangue para dissolver metanfetamina, é comum e de alto risco.
- Fiji não tinha programa de troca de seringas na data da avaliação, e os pesquisadores relatam que farmácias exigem receita para vender seringas.
- A OMS afirma que essa prática cria um 'risco excepcionalmente alto' de transmissão de outras infecções, incluindo hepatite B e C e infecções bacterianas graves.
- A Unaids aponta aumento de novas infecções por HIV em 21 países em 2025, incluindo o Brasil.
O governo de Fiji declarou estado de emergência nacional diante do aumento acelerado de infecções. Em 2024, o Ministério da Saúde apontou o 'bluetoothing' como um dos fatores do aumento; em 22 de janeiro de 2025, o ministro declarou oficialmente o surto. Uma avaliação rápida do Instituto Kirby da UNSW, em Suva, capital do país, feita para a OMS e o PNUD, ouviu 56 pessoas que injetam drogas e 50 informantes-chave e não encontrou base para vê-la como prática disseminada.
Práticas semelhantes foram descritas na Tanzânia, em 2005, como 'flashblood', entre trabalhadoras do sexo, e no Zimbábue, em 2023, como 'bluetoothing', sem detalhar sua extensão. A prática também foi relatada no Lesoto. Os pesquisadores registram que reportagens de 2017 sobre a África do Sul foram depois consideradas imprecisas. Especialistas acompanham a situação com preocupação, enquanto a comunidade internacional debate o efeito da redução da ajuda externa.
Para os pesquisadores, o HIV entre quem injeta drogas em Fiji resulta da escassez de seringas, do estigma, de práticas inseguras de injeção e preparo, do pouco conhecimento sobre riscos e do acesso limitado a serviços. Sem intervenção imediata, a projeção é de 25.000 pessoas vivendo com HIV em Fiji até 2029, ante cerca de 6.100 estimadas para 2024.
