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Rover Perseverance detecta poeira ultrafina em Marte

Pesquisadores da Universidade de Washington registram, com dados do rover Perseverance, poeira marciana de 100 a 200 nanômetros aderida a amostras de traje espacial e a alvos de calibração, e alertam para riscos respiratórios em futuras missões tripuladas.

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Foto: InfoMoney
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28/10 às 16:32, atualizado 18:02

Pontos principais

  • Os pesquisadores usaram o PIXL, instrumento do rover Perseverance da Nasa, para medir por fluorescência de raios X a poeira depositada em alvos de calibração e em amostras de traje espacial.
  • Partículas de 1,4 µm em média no alvo de Teflon do PIXL e de 2,1 µm no tecido Vectran; no alvo de vidro basáltico e no tecido de Teflon, de 140 nm e 300 nm, valores que os autores tomam como limites superiores.
  • Segundo os autores, a poeira é um silicato máfico enriquecido em ferro, enxofre e fósforo, com indícios de sulfato de cálcio.
  • Segundo os autores, a eletrostática basta para prender as partículas mais finas em superfícies lisas, enquanto no tecido Vectran o entrelaçamento das fibras ajuda a segurar a poeira.
  • Segundo os autores, a mucosa pulmonar elimina mal partículas menores que 5 µm, e as menores que cerca de 1 µm escapam dos mecanismos de limpeza respiratória e podem atingir tecidos e órgãos.
  • Segundo os autores, cerca de 1 mm³ de material com 2% de perclorato, em peso, poderia superar a dose de referência para a saúde humana.
  • A Nasa usa como limite de exposição uma média ponderada de 0,1 mg/m³ para partículas abaixo de 10 µm, em até 30 dias, extrapolada da poeira lunar; segundo os autores, a extrapolação é provisória, mas as evidências atuais não mostram que o limite seja insuficiente.

Pesquisadores liderados por Scott VanBommel, da Universidade de Washington em St. Louis, nos Estados Unidos, publicaram na PNAS a análise dessa poeira. Segundo a Nasa, são as primeiras medições desse tipo na superfície de Marte: missões anteriores não resolviam partículas abaixo de cerca de 2 a 3 micrômetros. Os autores afirmam que partículas respiráveis dessa faixa podem chegar ao fundo dos alvéolos pulmonares e ameaçar órgãos vitais, o que torna a poeira um risco para futuras tripulações.

A poeira marciana é diferente da lunar, mas os autores esperam riscos análogos por mecanismos distintos: os grãos de Marte são arredondados pelo vento e, por isso, menos abrasivos. Os autores não definem padrões de segurança. Eles pedem testes toxicológicos com a poeira de Marte para fixar um nível de exposição sem efeito adverso específico para o planeta, e dizem que o retorno das amostras do Perseverance à Terra deve ser decisivo para medir o risco.

Fontes primárias

Proceedings of the National Academy of Sciences (PNAS)

Fine and ultrafine Martian dust presents additional risks for future crewed missions to Mars

Estudo de Scott VanBommel et al. (Washington University in St. Louis) com dados de fluorescência de raios X do instrumento PIXL do Perseverance. Relata partículas de poeira finas (≲2,5 µm) e ultrafinas (≲0,1 µm), com tamanhos de 100 a 200 nm, aderidas a amostras de materiais de traje espacial e alvos de calibração. A poeira é um silicato máfico enriquecido em fósforo, ferro e enxofre, que se acumula em materiais análogos às camadas externas de trajes e habitats por processos eletrostáticos e de seleção mecânica. Segundo os autores, essas partículas respiráveis podem penetrar fundo nos alvéolos pulmonares, contornar a barreira hematoencefálica e ameaçar órgãos vitais, e a caracterização de amostras retornadas à Terra é necessária para definir padrões de segurança para futuras tripulações.

NASA Jet Propulsion Laboratory (JPL)

NASA's Perseverance Offers Clues to Protect Crews from Mars Dust

Comunicado do JPL (26/10/2026) sobre o estudo publicado na PNAS em 27/10. Em 1.645 dias marcianos, o Perseverance mediu partículas finas e ultrafinas de poeira presas a amostras de traje espacial e alvos de calibração; o PIXL detectou partículas abaixo de 2,5 µm e de cerca de 100 nm. Segundo a NASA, a estática determina quais tamanhos grudam em cada superfície e alguns materiais retêm menos poeira que outros, o que pode orientar a escolha de materiais, revestimentos, projetos de trajes e habitats, procedimentos de remoção de poeira e padrões de saúde para missões tripuladas a Marte.

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