Rei Charles III enfrenta protestos por reparações no Caribe
Na Guiana, segunda parada da turnê do rei pelo Caribe, o presidente Irfaan Ali cobra um pedido formal de desculpas e, depois, reparações, enquanto os assessores do monarca dizem que nenhuma desculpa será feita.
Pontos principais
- A Guiana é a segunda parada da turnê do rei e o único ex-território britânico no continente sul-americano, segundo a ITV News.
- Irfaan Ali considera "extremamente bem-vindas" as expressões de pesar do rei pelos "dias mais sombrios" do Império Britânico, mas diz que devem ser seguidas de um pedido formal de desculpas e de justiça reparatória.
- Os assessores do rei deixaram claro que nenhum pedido formal de desculpas será feito; o monarca reconhecerá erros históricos, seguindo a orientação jurídica do governo britânico, mas não irá além disso.
- Há preocupação de que uma desculpa abra precedente jurídico para o Reino Unido e fortaleça o pleito por reparações, segundo a ITV News.
- A Assembleia Geral da ONU, na resolução A/RES/80/250 de 25 de março de 2026, declara o tráfico de africanos escravizados e a escravidão racializada o mais grave crime contra a humanidade.
- A resolução pede aos Estados-membros um diálogo de boa-fé sobre justiça reparatória, incluindo um pedido completo e formal de desculpas, mas não quantifica nenhuma reparação.
Em um ato pró-reparações na Guiana, na praia onde chegaram navios negreiros havia duzentos anos, a pressão sobre o rei Charles III ficou visível. Irfaan Ali considera "extremamente bem-vindas" as expressões de pesar do monarca sobre os "dias mais sombrios" do Império Britânico, mas afirma que devem vir em seguida um pedido formal de desculpas e a justiça reparatória. Dezenas de milhares de escravizados foram levados à Guiana por donos de plantações holandeses e britânicos.
Os assessores do rei deixaram claro, segundo a ITV News, que nenhum pedido formal de desculpas será feito. O monarca reconhecerá os erros históricos, seguindo a orientação jurídica do governo britânico, mas não irá além disso. A preocupação, segundo a emissora, é que uma desculpa crie precedente jurídico para o Reino Unido e fortaleça o pleito por reparações.
A Assembleia Geral da ONU declara, na resolução A/RES/80/250, o tráfico de africanos escravizados o mais grave crime contra a humanidade. A resolução pede aos Estados-membros um diálogo de boa-fé sobre justiça reparatória, incluindo um pedido completo e formal de desculpas, mas não quantifica reparação alguma e não cita nenhum país.
Fontes primárias
A/RES/80/250 — Declaração sobre o tráfico de africanos escravizados e a escravidão racializada como o mais grave crime contra a humanidade
Resolução adotada em 25/03/2026. Declara o tráfico de africanos escravizados e a escravidão racializada 'gravest crime against humanity' (§2) e afirma que reivindicações de reparações 'representam um passo concreto' para reparar injustiças históricas (§6). Observa que nenhum marco reparatório abrangente foi realizado (§7) e convoca os Estados-membros a um diálogo de boa-fé sobre justiça reparatória, incluindo 'um pedido completo e formal de desculpas', restituição, compensação, reabilitação e garantias de não repetição (§8). Pede a restituição, sem custo, de bens culturais aos países de origem (§9) e convida a CARICOM e a OEA a desenvolver marcos de diálogo sobre justiça reparatória (§13). Não quantifica nenhuma reparação.
Entrevista de Irfaan Ali à ITV News antes da visita do rei à Guiana
Em entrevista à ITV News, às vésperas da visita do rei à Guiana, o presidente Irfaan Ali diz que as expressões de pesar do rei sobre os 'dias mais sombrios' do Império Britânico são 'extremamente bem-vindas', mas que devem ser seguidas de dois passos: primeiro, um pedido formal de desculpas; depois, justiça reparatória. Ali afirma que o rei é um visitante importante e valorizado no país.
