96% dos recifes de coral do mundo correm risco de colapso até 2075
A primeira avaliação global de recifes de coral da IUCN classifica 96% dos recifes rasos de mais de 80 países como criticamente ameaçados, com risco de colapso até 2075.
Pontos principais
- A IUCN classificou 96% dos ecossistemas de recifes rasos avaliados como criticamente ameaçados, a categoria de maior risco da Lista Vermelha de Ecossistemas.
- A avaliação cobre 127 ecorregiões tropicais e subtropicais, somando 188.362 km² de recifes, com mais de 250 especialistas.
- O estresse térmico causado pelo aquecimento dos oceanos é a principal ameaça, e ondas de calor marinhas provocam branqueamento em massa com frequência crescente.
- A sobrepesca de peixes como papagaios e garoupas ameaça 63% dos ecossistemas, porque enfraquece a capacidade de os recifes se recuperarem do calor.
- A IUCN usa o cenário intermediário do IPCC, que prevê 2,7 °C de aquecimento atmosférico até o fim do século.
- Considerando só as mudanças observadas nos últimos 50 anos, sem projeções climáticas, a fatia criticamente ameaçada cai para 24%.
- Quatro das 127 ecorregiões são Deficientes em Dados, e os recifes das Galápagos Ocidentais já colapsaram desde o El Niño de 1982-83; a IUCN diz que, sem essas exclusões, a fatia criticamente ameaçada seria ainda maior.
- Entre os classificados como criticamente ameaçados estão a Grande Barreira de Corais, na Austrália, o Triângulo de Coral, a Barreira Mesoamericana e os recifes do Mar Vermelho.
- Em paralelo, a IUCN reavaliou 892 espécies de corais construtores de recifes e concluiu que 44% estão ameaçadas de extinção.
A avaliação, coordenada pela IUCN com mais de 250 especialistas, cobre recifes de águas quentes e rasas em mais de 80 países e territórios. Segundo a IUCN, a maioria dos recifes ainda não está perdida, e a janela para agir, embora estreita, segue aberta. A distância entre o cenário com projeções e o cenário apenas com dados observados é apresentada pela organização como margem para a ação climática e de conservação. A IUCN não trata de consequências legais ou regulatórias das classificações.
Para a IUCN, um recife colapsa quando os corais duros, que formam a base da estrutura, quase desaparecem e são substituídos por algas, escombros e esponjas, o que impede o ecossistema de sustentar sua cadeia alimentar. A diretora-geral da IUCN, Grethel Aguilar, afirma que ainda não é tarde para os recifes se recuperarem, mas que isso exige cortar emissões, proteger e restaurar recifes e investir em ecossistemas costeiros resilientes.
