União Europeia lança estratégia para conter influência no Ártico
A Comissão Europeia e a Alta Representante da UE propõem uma nova política para o Ártico, com a segurança no centro, diante da presença crescente da Rússia e da China.
Pontos principais
- Política ártica de 2021 atualizada pela UE, com quatro prioridades: segurança e resiliência, clima, prosperidade e segurança econômica, e pessoas e comunidades, incluindo povos indígenas.
- Centro de Segurança Marítima, a ser desenvolvido com Estados-membros interessados, para compartilhar informações, inclusive sobre navios da frota-fantasma (shadow fleet), que desligam o AIS para burlar sanções.
- Centro de Cabos do Ártico como primeiro passo, para monitorar, proteger e apoiar o reparo de cabos submarinos no Atlântico Norte e no Ártico.
- Groenlândia: 200 milhões de euros em 2026 e 2027, e um cabo submarino soberano ligando a ilha diretamente à UE, com estudos de viabilidade em andamento.
- Quebra-gelos: capacidade europeia a ser ampliada por compras conjuntas e compartilhamento de meios dos Estados-membros.
- Cabo Pan-Ártico, um conceito de longo prazo que ligaria a Europa ao Japão e à Coreia do Sul, via Groenlândia e Canadá.
- Petróleo, carvão e gás devem permanecer no solo, inclusive no Ártico; a UE vai impedir reservas de hidrocarbonetos que ameacem o ecossistema da região.
- Sem orçamento global para a estratégia; os valores citados pertencem a programas específicos.
- A UE mantém oposição à mineração em águas profundas até que lacunas científicas sobre os ecossistemas do fundo do mar sejam preenchidas.
A Comissão Europeia e a Alta Representante da UE apresentaram a estratégia em Estrasburgo. Segundo a UE, o Ártico, que aquece quase quatro vezes mais rápido que a média global, deixou de ser um farol de estabilidade e virou uma região mais disputada por recursos, rotas comerciais, acesso estratégico e influência. Nesse quadro, a UE aponta a Rússia, que amplia sua presença militar na região e recorre a estratégias híbridas contra vizinhos, e a China, cujas ambições no Ártico europeu crescem junto com a parceria com Moscou.
Dinamarca, Finlândia e Suécia são nações árticas, e mais de 500 mil cidadãos da UE vivem na região. Para o bloco, a Groenlândia é parceira próxima, e o futuro da ilha cabe ao povo groenlandês decidir.
