Tese analisa impacto da canalização de rios na memória de São Paulo
Estudo aponta como o enterramento de cursos d'água desde o século 19 moldou a urbanização e o distanciamento dos moradores com a cidade.
Pontos principais
- Pesquisa de Wellington Tibério investiga a transformação dos rios de São Paulo ao longo da história.
- Processos de retificação e canalização foram usados como ferramentas de modernização urbana.
- A partir de 1970, avenidas de fundo de vale consolidaram a imagem de uma cidade de concreto.
- O autor sugere que a identificação de nascentes pode fortalecer o vínculo comunitário com o território.
- Existe um alerta sobre o risco de a pauta de revitalização dos rios ser capturada pelo setor imobiliário.
Uma tese de doutorado desenvolvida pelo pesquisador Wellington Tibério explora como o processo histórico de urbanização de São Paulo alterou a relação da população com seus rios. Desde o século 19, cursos d'água como o Tamanduateí foram tratados como obstáculos ao progresso, resultando em sucessivas obras de retificação e canalização. A partir da década de 1970, a construção de avenidas sobre leitos de rios e o tamponamento de córregos consolidaram a imagem de uma metrópole de concreto, distanciando os cidadãos de seus recursos naturais.
O estudo defende que intervenções artísticas e o mapeamento de nascentes são caminhos para reconectar os moradores aos seus territórios e fortalecer o senso de pertencimento. No entanto, o pesquisador faz uma ressalva importante sobre o conceito de 'direito à cidade', alertando para o risco de que propostas de revitalização fluvial sejam capturadas por interesses imobiliários, descaracterizando o objetivo de integração urbana e social.
