Endividamento de entregadores cresce na Argentina com juros altos
O aumento do crédito via fintechs na Argentina eleva a inadimplência e pressiona trabalhadores de aplicativos em meio à resistência do governo.
Pontos principais
- Entregadores recorrem a empréstimos com juros anuais superiores a 100% para cobrir custos operacionais.
- O número de empréstimos concedidos por fintechs no país cresceu 20 vezes em sete anos, alcançando 10 milhões.
- A taxa de inadimplência atingiu 12,8% em junho, o maior patamar registrado desde 2010.
- O governo de Javier Milei mantém a postura de não intervir, classificando o endividamento como uma questão privada.
O setor de entregas por aplicativos na Argentina enfrenta uma crise de endividamento severa, impulsionada pela dependência de empréstimos oferecidos por fintechs. Com taxas de juros que ultrapassam 100% ao ano, muitos trabalhadores utilizam o crédito para arcar com multas e a manutenção de veículos, criando um ciclo de dependência financeira. O volume de empréstimos via fintechs expandiu-se drasticamente na última década, saltando para 10 milhões de contratos, enquanto a inadimplência atingiu 12,8% em junho, um salto expressivo em relação aos 2,8% observados no final de 2023. Apesar do cenário, o governo de Javier Milei tem se recusado a implementar medidas de alívio estatal, tratando a situação como um problema privado entre credores e tomadores. O crédito privado na Argentina permanece baixo, representando apenas 12% do PIB, o que reflete a fragilidade do sistema financeiro local frente à demanda por crédito de curto prazo.
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