Shein arrecada US$ 1,7 bilhão em estreia na Bolsa de Hong Kong
A Shein fixou o preço final do IPO em HK$ 48,56 por ação, avaliando a varejista em US$ 26,3 bilhões, valor significativamente inferior ao pico de 2022.
Pontos principais
- A Shein fixou o preço final da oferta em HK$ 48,56 por ação, arrecadando HK$ 13.596,4 milhões em receita bruta (cerca de US$ 1,7 bilhão).
- Com 4.246.202.609 ações Classe B em circulação, o preço final implica uma avaliação de mercado de aproximadamente US$ 26,3 bilhões.
- A oferta de varejo foi 5,63 vezes subscrita, enquanto a tranche internacional, distribuída a 106 investidores, teve demanda de 2,59 vezes.
- Investidores-âncora, incluindo General Atlantic e UBS Asset Management, ficaram com 22,1% da oferta total.
- A bolsa de Hong Kong alertou que a alta concentração acionária poderia causar oscilações bruscas de preço, o que se confirmou com a queda inicial de 10%.
- A estreia ocorreu em um cenário de volatilidade nos mercados globais, com a empresa enfrentando desafios regulatórios e queda na receita líquida em 2025.
A gigante do fast-fashion Shein estreou na Bolsa de Hong Kong nesta terça-feira (1), sob o código 00625, após fixar o preço final da oferta em HK$ 48,56 por ação, abaixo do teto de HK$ 49,50. A operação levantou HK$ 13,6 bilhões em receita bruta (cerca de US$ 1,7 bilhão) e, com 4,25 bilhões de ações Classe B em circulação após a listagem, o preço final implica avaliação de mercado de aproximadamente US$ 26,3 bilhões, bem abaixo dos quase US$ 100 bilhões alcançados em rodadas de financiamento privado em 2022. A estreia ocorreu em um dia marcado por um aprofundamento na venda de ativos no mercado global de títulos, o que contribuiu para a volatilidade observada no pregão.
A demanda superou a oferta nas duas tranches, segundo o comunicado de resultado publicado pela bolsa, que também alertou que a alta concentração do capital acionário poderia levar a oscilações acentuadas de preço mesmo com poucos papéis negociados. O aviso se confirmou na abertura do pregão, quando os papéis chegaram a cair 10%, antes de fechar o dia com leve baixa de 0,1%. A listagem em Hong Kong ocorre após a empresa enfrentar barreiras regulatórias e geopolíticas que impediram planos anteriores de abrir capital em Nova York e Londres.
Além da pressão por transparência, a Shein lida com concorrência acirrada de plataformas como Temu e AliExpress, tarifas internacionais mais altas e custos operacionais elevados. Com queda de 39% na receita líquida em 2025 e prejuízo de US$ 99 milhões no primeiro trimestre de 2026, a empresa busca consolidar sua posição no mercado asiático em meio às tensões comerciais globais que afetam seu modelo de negócios baseado em preços baixos.
