Governo Lula prevê aporte de R$ 652 milhões na Eletronuclear para 2027
O governo Lula vai prever R$ 651,8 milhões para a Eletronuclear no Orçamento de 2027 para manter contratos vigentes de Angra 3, obra inacabada cuja decisão sobre retomada ou não fica para o ano que vem.
Pontos principais
- Notas técnicas da ENBPar fixam em R$ 1,03 bilhão o patamar mínimo de sobrevivência institucional e técnica de Angra 3 em 2027, entre licenciamento, engenharia e suprimentos internacionais.
- Um standstill do empréstimo com o BNDES, respaldado pelo CNPE e válido até o fim de 2027, libera cerca de R$ 290 milhões no caixa da Eletronuclear ainda em 2026; negociação semelhante está em curso com a Caixa.
- Os R$ 1,03 bilhão só fecham se o acionista minoritário também aportar R$ 365.034.806,00 em 2027, mas o ofício diz que "não há indicação de tratativas" para esse repasse; a fatia é hoje da Axia Energia, que vendeu a participação à Âmbar Energia (grupo J&F) em outubro do ano passado.
- O pedido inicial da ENBPar era de R$ 2,79 bilhões (R$ 1,79 bi da União), calculado supondo retomada das obras ainda em 2026 e quitação total com a francesa Framatome, fornecedora da tecnologia nuclear.
- O contrato com a Framatome expira em 1º de janeiro de 2027; o plano do governo é prorrogar só o prazo, para depois aportar recursos e regularizar os pagamentos.
- Sem o aporte, a Eletronuclear alerta para o risco de "rescisão de contratos de subfornecedores críticos da Framatome, cujo impacto poderia chegar a R$ 3 bilhões".
O governo Lula vai prever um aporte de R$ 651,8 milhões para a Eletronuclear no Orçamento de 2027, segundo ofício do ministro Alexandre Silveira (Minas e Energia), enviado em 24 de agosto à JEO (Junta de Execução Orçamentária), que reúne os ministros Bruno Moretti (Planejamento e Orçamento), Dario Durigan (Fazenda) e Esther Dweck (Gestão). O documento afirma que a previsão orçamentária é necessária diante da ausência, até agora, de decisão sobre retomar ou não as obras da usina de Angra 3, projeto inacabado que ainda não gera receita à estatal e cujo serviço da dívida já consumiu R$ 1,4 bilhão do caixa da empresa desde setembro de 2024. O recurso não amplia investimentos: serve para manter contratos já existentes ligados à usina até que o governo decida sobre sua continuidade.
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