A Eletronuclear tem lidado com a indefinição sobre o futuro de Angra 3 por anos. Em 2025, o então ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, havia prometido uma decisão sobre o tema até o final do ano, o que não se concretizou. A empresa busca que bancos públicos suspendam temporariamente a cobrança de quase R$ 7 bilhões em dívidas relacionadas ao empreendimento de Angra 3, até que o Conselho Nacional de Política Energética (CNPE) defina o futuro da usina. Essa suspensão é considerada essencial para garantir a sustentabilidade financeira da estatal. Em 2024, a empresa já havia obtido uma suspensão de pagamentos por seis meses. Sem uma solução estrutural para Angra 3, a Eletronuclear corre o risco de entrar em default com fornecedores e bancos, podendo necessitar de um aporte do Tesouro Nacional para mitigar os efeitos de um colapso financeiro. Em maio de 2025, a Eletronuclear solicitou uma nova suspensão do pagamento de R$ 800 milhões por ano em empréstimos de Angra 3 à Caixa e ao BNDES até dezembro de 2026. O presidente interino da Eletronuclear, Alexandre Caporal, afirmou em dezembro de 2025 que a empresa tem caixa para apenas dois a três meses e negocia com bancos públicos um "stand still" (suspensão temporária de pagamentos) para evitar um aporte imediato do Tesouro Nacional. O plano envolve a liberação de recursos do Fundo de Descomissionamento no primeiro trimestre de 2026, dependendo de uma decisão do CNPE sobre Angra 3. O BNDES, no entanto, resiste à interrupção dos pagamentos enquanto a indefinição sobre Angra 3 persiste. Em novembro de 2025, um estudo do BNDES apontou que concluir Angra 3 seria mais vantajoso do que abandonar o projeto.