PM de São Paulo usa imagens de câmeras corporais para vídeos no YouTube
A Polícia Militar de SP utiliza gravações de câmeras corporais para criar conteúdo sensacionalista, violando normas federais de proteção à dignidade.
Pontos principais
- O canal oficial da PMESP no YouTube publica vídeos de ocorrências com linguagem depreciativa e tom de entretenimento.
- Levantamento indica que conteúdos classificados como agressivos possuem 24 vezes mais visualizações que vídeos institucionais.
- A prática descumpre a Portaria MJ nº 648, que veda a exposição vexatória de pessoas envolvidas em ações policiais.
- A corporação recebeu mais de R$ 27 milhões em verbas federais para o programa de câmeras, condicionadas ao cumprimento de diretrizes de uso.
A Polícia Militar de São Paulo tem utilizado imagens captadas por câmeras corporais para produzir conteúdo de entretenimento em seu canal oficial no YouTube. Segundo levantamento do Intercept Brasil, a estratégia de comunicação da corporação prioriza vídeos com linguagem sensacionalista e depreciativa, que registram um engajamento significativamente maior do que materiais de caráter institucional. A mudança na abordagem de mídia coincidiu com uma capacitação em audiovisual realizada em 2023, financiada por recursos públicos. O uso dessas gravações para fins de exposição pública viola diretrizes internas da própria PMESP e a Portaria nº 648 do Ministério da Justiça, que proíbe a exibição vexatória de indivíduos em ocorrências. A situação gera preocupação, uma vez que a corporação recebeu mais de R$ 27 milhões do governo federal para o programa de câmeras, verba condicionada à observância estrita das normas de preservação da dignidade humana e do uso adequado dos equipamentos.
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