Falha em modelo da PJM custa US$ 12 bilhões a consumidores nos EUA
Erros na modelagem de capacidade da rede PJM elevaram contas de luz de 66 milhões de residentes entre 2025 e 2027.
Pontos principais
- A PJM subestima a capacidade de geração existente em cerca de 4 GW ao ignorar a eficiência térmica de turbinas a gás no inverno.
- Investimentos em resiliência contra frio realizados após a Tempestade Elliott não foram contabilizados pelo modelo da operadora.
- O custo acumulado para os consumidores residenciais devido a essas falhas de modelagem atingiu US$ 12 bilhões no período 2025-2027.
- A PJM planeja um leilão emergencial para adquirir 6,8 GW de capacidade, com risco de repasse de custos aos consumidores caso a demanda de datacenters não se concretize.
- Leilões de capacidade anteriores totalizaram US$ 63 bilhões em custos, com datacenters representando cerca de 46% dos encargos nos últimos quatro ciclos.
- A ausência de distinção entre usinas novas e existentes nos leilões da PJM eleva os preços pagos a ativos antigos, segundo analistas.
Uma investigação da SemiAnalysis revelou que falhas no modelo 'Reserve Requirement Study', utilizado pela PJM Interconnection para planejar a oferta de energia, resultaram em um prejuízo de US$ 12 bilhões para os consumidores americanos entre 2025 e 2027. O modelo falha ao não considerar o ganho de eficiência de até 25% em turbinas a gás durante o inverno e ignora as melhorias de resiliência implementadas por centenas de usinas após a Tempestade Elliott, levando a uma subestimação de 4 GW na capacidade real do sistema. Como resultado, a operadora realizou leilões de capacidade com preços inflados, impactando diretamente as contas de luz de 66 milhões de residentes na região.
A situação é agravada pela pressão da demanda de datacenters, que tem impulsionado a necessidade de expansão da rede. A PJM prepara agora um 'leilão emergencial' para contratar 6,8 GW adicionais, mas a falta de contrapartes comerciais garantidas gera preocupações de que os custos sejam integralmente transferidos aos consumidores residenciais. Especialistas apontam que a governança da PJM, descrita como estruturalmente anti-crescimento e obsoleta, enfrenta dificuldades para adaptar o mercado a essa nova realidade de carga, enquanto reguladores federais pressionam por reformas urgentes no sistema de leilões.
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