Expansão de data centers por empresas de energia gera alerta ambiental
Setor de renováveis impulsiona data centers no Brasil para evitar perdas financeiras, levantando preocupações sobre custos e impactos socioambientais.
Pontos principais
- Cerca de 65% dos pedidos de conexão de data centers à rede elétrica nacional são vinculados a empresas de energia renovável.
- O modelo visa mitigar o curtailment, que é o desligamento forçado de usinas devido ao excesso de oferta no sistema.
- Especialistas apontam risco de greenwashing, já que a operação contínua dos data centers pode exigir o uso de termelétricas.
- A migração de grandes consumidores para o mercado livre pode elevar os custos de transmissão para consumidores cativos.
- Comunidades tradicionais, como quilombolas e indígenas, relatam impactos negativos causados pela instalação de parques eólicos e solares.
O setor de energia renovável no Brasil tem buscado a instalação de data centers como estratégia para escoar o excedente de produção e reduzir prejuízos causados pelo curtailment. Dados indicam que a maioria das solicitações de conexão à rede básica parte de empresas do segmento, que buscam garantir a viabilidade financeira de seus ativos. Contudo, a estratégia enfrenta críticas de especialistas, que alertam para o risco de greenwashing, visto que a intermitência das fontes renováveis pode demandar o acionamento de termelétricas para assegurar a operação ininterrupta dos centros de dados. Além dos desafios técnicos e da possível sobrecarga nos custos de transmissão para consumidores cativos, a expansão dos parques energéticos tem gerado conflitos socioambientais em territórios indígenas e quilombolas. O governo federal, por sua vez, mantém o incentivo a esses investimentos como parte de uma política industrial voltada à atração de capital estrangeiro.
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