Emissão de CRAs despenca 77% com crise de crédito no agronegócio
A insegurança jurídica e o aumento de recuperações judiciais no campo reduziram drasticamente a oferta de crédito via mercado de capitais em 2026.
Pontos principais
- A emissão mensal de CRAs caiu de R$ 5,3 bilhões no segundo semestre de 2025 para R$ 1,2 bilhão no primeiro semestre de 2026.
- O setor registrou 517 pedidos de recuperação judicial no primeiro trimestre de 2026, um aumento de 33% em relação ao mesmo período de 2025.
- Gestores de fundos relatam insegurança jurídica devido a decisões judiciais que impedem a execução de garantias, como sacas de grãos.
- Decisões de primeira instância em estados como Mato Grosso e Paraná têm contrariado entendimentos do STJ sobre a essencialidade de bens.
- Fiagros e investidores pessoa física tornaram-se mais seletivos após casos de inadimplência envolvendo grandes empresas como Agrogalaxy e Raízen.
- O aumento de processos judiciais movidos por credores reflete uma tentativa de antecipar riscos antes que produtores recorram à recuperação judicial.
O mercado de crédito para o agronegócio brasileiro enfrenta um cenário de retração severa em 2026. A queda de 77% na emissão de Certificados de Recebíveis do Agronegócio (CRAs) é reflexo direto de uma combinação de juros elevados, inadimplência crescente e, principalmente, uma escalada na judicialização de dívidas que compromete a segurança das garantias oferecidas pelos produtores.
Especialistas apontam que a divergência entre decisões de instâncias locais e o entendimento de tribunais superiores sobre a execução de bens essenciais tem afastado gestores de fundos e investidores. Com a dificuldade de acessar garantias como grãos e maquinários em casos de recuperação judicial, o mercado de capitais passou a exigir prêmios de risco maiores e estruturas mais robustas, o que encarece o custo do financiamento para o setor e pressiona a liquidez no campo.
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