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Pesquisadores criam tecido vivo feito de fungos que se autorrepara

Cientistas desenvolveram um material têxtil à base de micélio que permanece vivo, capaz de se regenerar e hospedar micróbios para novas funções.

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09/08 às 01:41

Pontos principais

  • O material é composto por micélio do fungo Cordyceps militaris, mantido vivo após o processo de fabricação.
  • A estrutura é flexível graças ao uso de glicerol, que atua como um plastificante sem matar as células fúngicas.
  • O tecido possui capacidade de autorreparação: ao aplicar nutrientes e novos filamentos, o fungo cresce sobre rasgos e danos.
  • Micróbios modificados podem ser integrados ao tecido para alterar sua cor ou adicionar proteção contra radiação ultravioleta.
  • O material é altamente biodegradável, decompondo-se quase totalmente em solo no período de 40 a 45 dias.
  • Pesquisadores da Academia Chinesa de Ciências desenvolveram um protótipo de vestido para demonstrar a viabilidade do material.
  • Especialistas apontam que o tecido é mais adequado para usos temporários ou embalagens do que para vestuário de longa duração.

Uma equipe de pesquisadores liderada pela Academia Chinesa de Ciências desenvolveu um têxtil inovador utilizando micélio, a rede de filamentos que compõe a estrutura dos fungos. Diferente de outros materiais fúngicos processados, que utilizam matéria morta, este novo tecido permanece biologicamente ativo. O processo envolve o cultivo de pellets de Cordyceps militaris, moldados em folhas flexíveis e tratadas com glicerol para garantir maleabilidade. Quando exposto a nutrientes, o material é capaz de regenerar sua superfície e reparar danos estruturais através do crescimento celular.

Além da capacidade de autorregeneração, o tecido funciona como uma plataforma programável. Ao hospedar leveduras geneticamente modificadas ou outros fungos produtores de melanina, o material pode exibir cores variadas ou oferecer proteção contra raios UV. Embora o estudo, publicado na revista Science, apresente um protótipo de vestido, os autores ressaltam que a tecnologia ainda não está pronta para o uso cotidiano. Devido à sua rápida biodegradação e necessidade de condições específicas de armazenamento, o material é apontado como uma solução promissora para embalagens descartáveis ou estruturas temporárias, em vez de substituir vestimentas tradicionais.

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