Sobe para 72 o número de mortos em travessia migratória para Ceuta
O balanço de vítimas fatais na tentativa de entrada em massa de migrantes no enclave espanhol de Ceuta atingiu 72 pessoas, agravando a crise migratória na União Europeia.
Pontos principais
- O número de mortos subiu para 72 após a recuperação de novos corpos na costa de Ceuta.
- A tentativa de travessia envolveu entre 50 mil e 60 mil pessoas, segundo estimativas oficiais.
- A maioria dos migrantes retornou ao território marroquino nas 48 horas seguintes ao fluxo.
- A Itália suspendeu temporariamente o acordo de Schengen com a Espanha em resposta à crise.
- O governo espanhol reforçou a segurança na fronteira com a instalação de uma barreira flutuante.
- Autoridades investigam a disseminação de boatos sobre mudanças na legislação migratória por grupos criminosos.
- Famílias seguem buscando por desaparecidos, incluindo crianças e jovens, na região costeira.
O número de mortos na tentativa de travessia em massa de migrantes para o enclave espanhol de Ceuta, no norte da África, subiu para 72. O incidente, considerado sem precedentes, ocorreu na última quinta-feira, quando cerca de 60 mil pessoas tentaram cruzar a fronteira terrestre e marítima entre o Marrocos e o território espanhol. Equipes de resgate continuam as buscas por desaparecidos, enquanto familiares buscam informações sobre entes queridos que participaram do fluxo migratório. Embora a maior parte dos migrantes tenha retornado ao território marroquino nos dois dias seguintes, o impacto logístico e de segurança na cidade autônoma permanece sob avaliação das autoridades locais.
A crise gerou tensões diplomáticas significativas dentro da União Europeia. Em uma medida de resposta, a Itália suspendeu temporariamente o acordo de livre circulação de pessoas do Espaço Schengen com a Espanha. O primeiro-ministro espanhol, Pedro Sánchez, criticou a postura de outros Estados-membros, classificando a reação de parte do bloco como egoísta diante da pressão migratória. Em paralelo, o governo da Espanha reforçou a proteção da fronteira marítima com a instalação de uma barreira de boias de 500 metros e intensificou o patrulhamento na região.
Autoridades espanholas apontam que a tentativa de entrada em massa pode ter sido incentivada por grupos criminosos, que teriam disseminado informações falsas sobre supostas alterações na legislação migratória espanhola. O governo nega que seus programas de regularização tenham motivado o fluxo descontrolado. Enquanto a situação na fronteira é monitorada, o papa Leão XIV manifestou preocupação com o episódio, apelando por soluções baseadas em paz e justiça para a crise humanitária que afeta as fronteiras europeias no continente africano.
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