Quem é Pedro Sánchez
Pedro Sánchez Pérez-Castejón é o presidente do Governo da Espanha, cargo equivalente ao de primeiro-ministro. Filiado ao Partido Socialista Operário Espanhol (PSOE), chegou ao poder em junho de 2018 por meio de uma moção de censura e desde então governa em minoria, dependendo de acordos parlamentares com a esquerda e com partidos nacionalistas catalães e bascos. Em julho de 2026 tornou-se o rosto da resposta espanhola à maior crise migratória já registrada em Ceuta.
Sánchez nasceu em Madri em 29 de fevereiro de 1972. Formou-se em Ciências Econômicas e Empresariais pela Universidade Complutense de Madri em 1995, fez mestrado em Política Econômica da União Europeia na Université Libre de Bruxelles (1997-1998) e concluiu doutorado em Economia e Negócios pela Universidade Camilo José Cela em novembro de 2012.
Filiou-se ao PSOE em 1993. Foi vereador da Câmara Municipal de Madri entre 2004 e 2009 e deputado no Congresso em duas legislaturas: de setembro de 2009 a setembro de 2011 e de janeiro de 2013 a junho de 2018. Declara-se ateu e é torcedor do Atlético de Madrid.
Qual é o partido de Pedro Sánchez? É de esquerda ou de direita?
Sánchez pertence ao PSOE, o partido social-democrata espanhol fundado em 1879 e uma das duas grandes forças do sistema político do país desde a redemocratização. É, portanto, um político de esquerda, ainda que dentro do campo social-democrata europeu e não da esquerda radical — que na Espanha é representada por Unidas Podemos e, mais recentemente, pelo Sumar, seus parceiros de coalizão.
Foi eleito secretário-geral do PSOE em 13 de julho de 2014, com 49% dos votos. Renunciou ao cargo em 1º de outubro de 2016, após uma crise interna, e o reconquistou em 21 de maio de 2017 em primárias nas quais derrotou Susana Díaz e Patxi López com 50% dos votos.
Como Sánchez chegou à presidência do governo
Em 1º de junho de 2018, o Congresso dos Deputados aprovou uma moção de censura apresentada pelo PSOE contra o então presidente Mariano Rajoy, do Partido Popular (PP), com o apoio do Unidas Podemos e de partidos regionalistas. Foi a primeira moção de censura bem-sucedida da democracia espanhola, e Sánchez tomou posse em 2 de junho de 2018.
Seu primeiro governo teve maioria feminina — 11 mulheres e 6 homens — e ele foi o primeiro presidente espanhol a tomar posse sem jurar sobre a Bíblia e o crucifixo. Entre as medidas mais marcantes desse período está a exumação dos restos de Francisco Franco do Vale dos Caídos, concluída em 24 de outubro de 2019.
Eleições e o governo de coalizão
A Espanha foi às urnas duas vezes em 2019. Em 28 de abril, o PSOE obteve 28,7% dos votos e 123 cadeiras, mas Sánchez não conseguiu ser investido nas votações de 23 e 25 de julho. Novas eleições em 10 de novembro de 2019 deram ao PSOE 28% dos votos e 120 cadeiras.
O impasse foi resolvido com um acordo com o Unidas Podemos, de Pablo Iglesias: o primeiro governo de coalizão da Espanha desde o retorno à democracia, com 17 ministros do PSOE e 5 do Unidas Podemos, e composição paritária entre homens e mulheres. Sánchez assumiu esse mandato em 7 de janeiro de 2020.
Nas eleições de 23 de julho de 2023, o PP ficou em primeiro lugar em número de cadeiras, mas a candidatura de Alberto Núñez Feijóo foi rejeitada pelo Congresso em setembro de 2023. Com o apoio do Sumar e de partidos independentistas e regionalistas, Sánchez foi investido em 16 de novembro de 2023 e nomeado formalmente no dia seguinte, iniciando seu terceiro mandato.
Esposa e filhos
Sánchez é casado desde 2006 com María Begoña Gómez Fernández, com quem tem duas filhas.
Gómez tornou-se figura central de uma disputa política a partir de 2024, quando passou a ser investigada por supostos tráfico de influência e irregularidades ligadas à sua atuação profissional. Em 24 de abril de 2024, Sánchez anunciou publicamente que consideraria renunciar diante do que classificou como uma operação de desgaste; cinco dias depois, em 29 de abril, decidiu permanecer no cargo. Em 13 de abril de 2026, Gómez foi formalmente acusada de peculato, tráfico de influência, corrupção nos negócios e apropriação indébita.
Polêmicas e investigações
Lei de anistia catalã. Como parte do acordo que viabilizou sua investidura em novembro de 2023, Sánchez aceitou aprovar uma lei de anistia para políticos independentistas catalães. A Lei Orgânica 1/2024, sancionada em junho de 2024, alcançava condenados e processados entre 2011 e 2023 por atos ligados ao processo independentista. A medida foi um dos pontos mais atacados pela oposição.
Caso Koldo. Aberto no início de 2024, o caso apura comissões ilegais em contratos de compra de máscaras durante a pandemia de covid-19. Envolve o ex-ministro dos Transportes José Luis Ábalos e seu assessor Koldo García, que respondem por acusações que incluem suborno e peculato.
Denúncias de assédio no PSOE. Em 2025, uma série de denúncias de má conduta sexual atingiu o partido. O assessor sênior Francisco Salazar renunciou em julho de 2025 após acusações de assédio, e novos casos vieram a público até dezembro daquele ano.
Em sua entrevista coletiva de balanço, em 15 de dezembro de 2025, Sánchez afirmou que pretende completar o mandato até 2027.
A crise migratória em Ceuta (2026)
A partir de 30 de julho de 2026, cerca de 60 mil pessoas cruzaram do Marrocos para Ceuta, cidade autônoma espanhola no norte da África, depois que se espalhou pelas redes sociais o boato de que a fronteira estava aberta. O governo espanhol confirmou 67 mortes, entre afogamentos e vítimas de tumulto no espigão que separa os dois territórios. Quase todos os que entraram retornaram ao Marrocos no sábado, 1º de agosto, sob supervisão militar.
Sánchez viajou a Ceuta em 31 de julho de 2026 acompanhado do ministro do Interior, Fernando Grande-Marlaska. Em pronunciamento, condenou a "violação e o ataque à integridade territorial" da cidade e afirmou que seriam empregados "todos os recursos do Estado" para garantir a segurança. Anunciou aumento de 10% no efetivo da Polícia Nacional e da Guarda Civil, reforço das Forças Armadas, instalação de boias no espigão, agilização dos processos de expulsão pela Comissão de Asilo, intensificação das repatriações em cooperação com o Marrocos e estudo de apoio econômico ao pequeno comércio afetado. Na ocasião, foi recebido com vaias e gritos de "demissão" por parte da população local.
O governo instalou uma barreira de contenção de 500 metros na fronteira marítima. Em 1º de agosto, Grande-Marlaska declarou que "a situação foi quase inteiramente revertida" e classificou o Marrocos como "parceiro confiável".
A crise abriu uma disputa dentro da União Europeia. A Itália reintroduziu temporariamente controles na fronteira com a Espanha, e Sánchez enviou carta a Ursula von der Leyen criticando a falta de solidariedade europeia e pedindo uma reunião urgente dos ministros do Interior do bloco. Vinte e dois países-membros solicitaram a convocação de uma reunião de emergência. O episódio remete a maio de 2021, quando mais de 10 mil migrantes entraram em Ceuta em dois dias em meio a tensões diplomáticas entre Espanha e Marrocos.
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