Política tarifária de Trump pode acelerar desdolarização, diz Nobel
O economista Roger Myerson alerta que a estratégia comercial agressiva dos EUA pode reduzir a confiança global no dólar como reserva de valor.
Pontos principais
- Roger Myerson afirma que o déficit comercial americano é fundamental para a oferta global de ativos líquidos, como títulos do Tesouro.
- A tentativa de zerar o déficit comercial por meio de tarifas pode pressionar a posição dominante da moeda americana.
- Apesar dos riscos apontados, o dólar permanece como principal reserva de valor devido à estabilidade histórica dos Estados Unidos.
- O Nobel Paul Milgrom, presente no mesmo evento, destacou preocupações sobre a perda de habilidades humanas frente ao avanço da inteligência artificial.
O Nobel de Economia Roger Myerson alertou que a política de tarifas agressivas adotada pelo governo de Donald Trump pode gerar efeitos colaterais significativos para a economia global. Segundo o especialista, o déficit comercial dos Estados Unidos desempenha um papel central na provisão de ativos líquidos, como os títulos do Tesouro, que sustentam o sistema financeiro internacional. Ao buscar a eliminação desse déficit através de retaliações comerciais, a administração atual corre o risco de minar a confiança na moeda americana como reserva de valor, incentivando um processo de desdolarização entre outras nações. Embora o dólar mantenha sua hegemonia devido à credibilidade histórica do país, a mudança na estratégia comercial é vista como um fator de instabilidade. Paralelamente, o economista Paul Milgrom destacou, em São Paulo, os desafios da automação, ressaltando preocupações sobre a dependência excessiva de sistemas de inteligência artificial em detrimento das capacidades humanas.
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