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Rússia emite mandado de prisão internacional contra Pavel Durov

O Serviço Federal de Segurança da Rússia acusou o fundador do Telegram de facilitar atividades terroristas e sabotagem, incluindo-o na lista de procurados.

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Foto: TecMundo
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29/07 às 04:01 · atualizado 14:17

Pontos principais

  • O FSB formalizou acusações criminais contra Pavel Durov por cumplicidade com o terrorismo.
  • Autoridades russas alegam que o Telegram é usado por serviços de inteligência ucranianos para recrutar jovens russos.
  • O chatbot 'Daivinchik/Leo' teria sido utilizado para coordenar atos de sabotagem contra a infraestrutura russa.
  • O governo russo afirma que 46 pessoas foram detidas no último ano por envolvimento em ataques articulados via plataforma.
  • Pavel Durov, que reside em Dubai, foi incluído oficialmente na lista de procurados internacionais do país.
  • O Telegram respondeu às acusações publicando uma imagem de um gesto obsceno em sua conta oficial na rede social X.
  • Durov já enfrenta um processo judicial na França desde 2024 por falta de cooperação com autoridades em investigações criminais.
  • O governo russo tem incentivado a migração de usuários do Telegram para o aplicativo estatal Max, classificado como ferramenta de vigilância.
  • O executivo nega as irregularidades e sustenta que as medidas russas visam censurar a liberdade de expressão na plataforma.

O Serviço Federal de Segurança da Rússia (FSB) formalizou, nesta semana, acusações criminais contra Pavel Durov, fundador e CEO do Telegram, sob a alegação de cumplicidade em atividades terroristas. A medida, que culminou na emissão de um mandado de prisão internacional, marca uma escalada significativa na pressão do Kremlin sobre o executivo de tecnologia, que atualmente reside em Dubai. Segundo as autoridades russas, a plataforma tem sido utilizada como um canal estratégico por serviços de inteligência ucranianos para recrutar cidadãos russos e coordenar atos de sabotagem contra a infraestrutura do país.

De acordo com o FSB, o uso de ferramentas específicas dentro do aplicativo, como o chatbot 'Daivinchik/Leo', facilitou o recrutamento de jovens para operações ilegais. O governo russo reportou que cerca de 46 indivíduos foram detidos no último ano por envolvimento em ataques ou atos de sabotagem que teriam sido articulados através do mensageiro. O Kremlin tem intensificado o escrutínio sobre o Telegram, frequentemente criticando suas políticas de criptografia e a suposta falha da empresa em moderar conteúdos considerados extremistas ou prejudiciais à segurança nacional.

Em resposta às acusações, a equipe do Telegram utilizou sua conta oficial na rede social X para publicar uma imagem de um gesto obsceno, mantendo a postura de confronto adotada por Durov. O empresário, que possui cidadania francesa e dos Emirados Árabes Unidos, nega veementemente as alegações, argumentando que o governo russo busca pretextos para exercer controle sobre a infraestrutura de comunicação digital e suprimir a liberdade de expressão. Durov ressalta que as exigências de Moscou para a entrega de dados de usuários e a quebra da criptografia da plataforma são inaceitáveis.

Este novo desdobramento jurídico ocorre em um momento delicado para o fundador do Telegram, que já enfrenta um processo judicial na França desde 2024. Naquele caso, Durov foi detido sob suspeita de falta de cooperação com autoridades em investigações criminais envolvendo a distribuição de conteúdo ilegal. A eficácia do mandado de prisão emitido pela Rússia, contudo, permanece incerta, dado que o executivo reside em jurisdições que podem não cooperar com a solicitação russa. Enquanto a disputa legal se desenrola, o governo russo continua a promover o aplicativo estatal Max como uma alternativa ao Telegram, embora órgãos oficiais do próprio Estado ainda utilizem a plataforma de Durov para comunicações institucionais.

Fonte primária

ФСБ России (Serviço Federal de Segurança da Rússia)

О вовлечении украинскими спецслужбами российских граждан ... а также о том, что П. Дуров объявляется в международный розыск

Em comunicado de 29/07/2026, o FSB afirma ter documentado o uso, por serviços especiais ucranianos, do chatbot do Telegram "Дайвинчик/Leo" para aliciar cidadãos russos (12 a 22 anos) para atividade de sabotagem e terrorismo. Segundo o texto, desde julho de 2025, em operação conjunta com o MVD e o Comitê de Investigação, foram detidos 46 cidadãos russos em diversas regiões (região de Moscou, São Petersburgo e Leningrado, Chuváchia, Bascortostão, Altai, Belgorod, Vladimir, Kemerovo, Novosibirsk, Rostov, Riazan, Saratov, Sverdlovsk, Ulyanovsk e Yaroslavl), acusados de ataques armados a policiais, incêndios a instalações de transporte, energia, telecomunicações e sistema financeiro, além de atuarem como "correios" repassando dinheiro de vítimas enganadas para casas de câmbio de criptomoedas controladas pelo adversário. O FSB descreve um esquema de engenharia social: agentes ucranianos se passavam por garotas no app de encontros "Дайвинчик", obtinham a geolocalização de pontos de encontro (shoppings, locais de grande circulação) e depois, via outros mensageiros, se passavam por policiais russos ou pelo Rosfinmonitoring para extorquir e coagir as vítimas a cometer ataques e incêndios sob pretexto de "verificação antiterrorista". Foram abertos processos penais pelos artigos 205 (ato terrorista), 281 (sabotagem), 167 (destruição dolosa de patrimônio), 213 (vandalismo) e 317 (atentado contra a vida de agente da lei) do Código Penal russo. O comunicado registra que o chatbot foi incluído no registro de sites proibidos do Roskomnadzor em 23/12/2025 (por pornografia infantil e "propaganda LGBT", este último classificado como extremismo pelo STF russo), mas que a administração do Telegram não removeu o conteúdo nem os canais, chats e bots usados por serviços ucranianos e organizações terroristas/extremistas, responsáveis por mortes e por "dano material multibilionário". Conclui que o chefe da administração do Telegram, Pável Dúrov, foi indiciado por indícios do crime previsto na parte 1.1 do artigo 205.1 do Código Penal russo (apoio a atividade terrorista) e foi colocado em lista de procurados internacional.

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