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Investidores questionam altos gastos com IA de Microsoft e Meta

Resultados financeiros recentes evidenciam a pressão de Wall Street sobre a Microsoft e a Meta devido aos investimentos bilionários em infraestrutura de inteligência artificial.

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Foto: Times Brasil
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29/07 às 08:45 · atualizado 18:33

Pontos principais

  • A Microsoft superou expectativas com receita de US$ 90 bilhões, mas enfrenta ceticismo sobre o retorno de seus gastos em infraestrutura.
  • A receita do Azure cresceu 43% no último trimestre, ultrapassando a marca anual de US$ 100 bilhões pela primeira vez.
  • A Meta reportou lucro por ação de US$ 6,18, abaixo das estimativas de mercado, pressionada por custos operacionais elevados.
  • O fluxo de caixa livre da Meta caiu para US$ 784 milhões, impactado diretamente pela expansão de data centers para IA.
  • A Microsoft projeta gastos de capital superiores a US$ 230 bilhões até o ano fiscal de 2027.
  • A Meta elevou sua previsão de despesas de capital para 2026, situando-a entre US$ 130 bilhões e US$ 145 bilhões.
  • A divisão Reality Labs da Meta registrou um prejuízo operacional de US$ 4,6 bilhões no período.

A divulgação dos resultados financeiros da Microsoft e da Meta revelou um cenário de crescente cautela entre investidores de Wall Street. Embora a Microsoft tenha superado as expectativas de receita, impulsionada pelo crescimento de 43% na unidade Azure e pela forte demanda por infraestrutura de inteligência artificial, o mercado mantém o foco nos custos operacionais. A empresa projeta que seus gastos de capital alcancem patamares superiores a US$ 230 bilhões até o ano fiscal de 2027, sinalizando que a corrida pela liderança em IA continuará exigindo investimentos massivos em data centers e capacidade computacional.

Por outro lado, a Meta enfrentou uma reação negativa imediata após reportar um lucro por ação de US$ 6,18, valor inferior ao esperado pelos analistas. O fluxo de caixa livre da companhia sofreu uma queda drástica, atingindo US$ 784 milhões, reflexo direto da estratégia agressiva de expansão em infraestrutura de IA e dos prejuízos contínuos na divisão Reality Labs, que somou US$ 4,6 bilhões em perdas operacionais no trimestre. A empresa revisou para cima suas projeções de despesas de capital para 2026, elevando o piso para US$ 130 bilhões.

A preocupação central dos investidores reside na sustentabilidade desses gastos e no tempo necessário para que a monetização das ferramentas de IA compense o alto capex. Enquanto a Microsoft tenta mitigar incertezas com o sucesso de licenças do Microsoft 365 Copilot, a Meta lida com desafios adicionais, incluindo encargos judiciais e a necessidade de provar a viabilidade financeira de seus modelos de IA frente a concorrentes como OpenAI e Anthropic. O mercado segue monitorando se a escala desses investimentos se traduzirá em crescimento de margens a longo prazo ou se a pressão sobre o caixa persistirá nos próximos anos fiscais.

Fontes primárias

Microsoft Corp. (Investor Relations)

Microsoft Cloud and AI strength drive fourth quarter results — FY26 Q4 Earnings Release

No release datado de 29 de julho de 2026, a Microsoft reporta receita trimestral de US$ 90,0 bi (+18%; +17% em moeda constante), lucro operacional de US$ 40,6 bi (+18%) e lucro líquido GAAP de US$ 35,8 bi (+31%), impulsionado em parte por um ganho de US$ 3,2 bi com o investimento na Anthropic. A receita de Azure e outros serviços de nuvem cresceu 43% no trimestre. As demonstrações financeiras anexas ao release mostram que os desembolsos de capital (adições a propriedade e equipamento) saltaram para US$ 35,8 bi no trimestre, ante US$ 17,1 bi um ano antes, e para US$ 115,9 bi no ano fiscal completo, ante US$ 64,6 bi no FY25 — um salto de ~80% na base anual, refletindo a expansão de data centers e infraestrutura de IA. As obrigações de desempenho remanescentes (RPO) subiram 84% para US$ 678 bi.

Meta Platforms, Inc. / SEC EDGAR

Meta Reports Second Quarter 2026 Results (Exhibit 99.1, Form 8-K)

No release do resultado do 2T26 (trimestre encerrado em 30 de junho de 2026), a Meta reporta receita de US$ 60,8 bi (+28% ano a ano) e lucro por ação diluído de US$ 6,18, queda de 13% ante os US$ 7,14 do 2T25. Os custos e despesas totais subiram 55%, para US$ 42,0 bi, incluindo US$ 2,40 bi em encargos com processos judiciais e US$ 1,18 bi em indenizações da redução de quadro de maio de 2026. O segmento Reality Labs registrou prejuízo operacional de US$ 4,62 bi sobre receita de apenas US$ 431 milhões, prejuízo levemente maior que o US$ 4,53 bi do ano anterior. Os desembolsos de capital do trimestre (incluindo pagamentos de principal de leasing financeiro) somaram US$ 31,08 bi, e a Meta elevou sua projeção de capex para o ano cheio de 2026 para a faixa de US$ 130-145 bi, ante a faixa anterior de US$ 125-145 bi, citando a necessidade de expandir infraestrutura para suas iniciativas de inteligência artificial. A empresa projeta despesas totais de 2026 entre US$ 165-169 bi e receita do 3T26 entre US$ 61-64 bi.

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