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Produtor usa vacas tokenizadas como garantia de crédito na B3

Pela primeira vez, um rebanho monitorado por IA serviu de garantia para uma CPR registrada na B3, facilitando o acesso ao crédito rural.

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27/07 às 09:02

Pontos principais

  • Dez vacas leiteiras da Fazenda Engenho Velho, no Paraná, foram tokenizadas para garantir um empréstimo de R$ 100 mil.
  • O monitoramento é feito pela startup Cowmed, que utiliza coleiras com sensores e inteligência artificial para rastrear saúde e bem-estar.
  • Cada animal recebe um registro digital em blockchain, funcionando como um 'RG' que elimina a necessidade de vistorias presenciais.
  • A operação foi estruturada pela BMP Sociedade de Crédito Direto e adquirida pelo fundo Target FIDC, com registro oficial na B3.
  • O uso de dados em tempo real reduz o deságio aplicado por instituições financeiras, que costumam desvalorizar garantias por falta de visibilidade.
  • A Cowmed monitora atualmente 100 mil vacas em 1.200 fazendas, com um rebanho avaliado em cerca de R$ 2 bilhões.
  • A meta da parceria entre Target e Cowmed é liberar R$ 5 milhões em crédito via tokenização de rebanho até o final de 2026.

Uma operação inédita no mercado financeiro brasileiro utilizou a tokenização de gado leiteiro para viabilizar a emissão de uma Cédula de Produto Rural Financeira (CPR-F). Ao transformar dados biológicos e comportamentais de dez vacas em registros digitais protegidos por blockchain, o produtor da Fazenda Engenho Velho, em Imbituva (PR), conseguiu captar R$ 100 mil. A tecnologia, fornecida pela agtech Cowmed, permite que credores acompanhem o estado do rebanho remotamente, mitigando riscos e aumentando a transparência da garantia real.

A iniciativa busca contornar as dificuldades de acesso ao crédito enfrentadas pelo setor agropecuário, agravadas pelo cenário de endividamento. Segundo a Target FIDC, o monitoramento contínuo elimina a incerteza que tradicionalmente leva bancos a aplicarem grandes deságios sobre o valor dos animais. Com a operação registrada na B3, o sistema garante que o mesmo ativo não seja utilizado como garantia em múltiplos contratos, criando um precedente para a expansão do uso de ativos biológicos como lastro financeiro no Brasil.

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