Brasil e Coreia do Sul criam grupo para destravar acordo com Mercosul
Em visita de Estado a Brasília, o presidente Lula e o líder sul-coreano Lee Jae-myung firmaram parcerias em minerais críticos e energia.
Pontos principais
- Brasil e Coreia do Sul criaram um grupo de trabalho para acelerar as negociações de livre comércio com o Mercosul.
- O vice-presidente Geraldo Alckmin foi nomeado coordenador do grupo de trabalho pelo lado brasileiro.
- Os dois países assinaram memorandos de entendimento em áreas estratégicas como defesa, educação, energia e exploração espacial.
- Foi estabelecida uma parceria focada na cadeia de suprimentos de minerais críticos, essencial para tecnologias como baterias e veículos elétricos.
- Uma missão técnica sul-coreana visitará o Brasil em agosto para avaliar frigoríficos visando a exportação de carne bovina.
- O memorando de cooperação energética, com vigência de cinco anos, prioriza energias renováveis e redes inteligentes.
- O presidente Lula destacou a influência cultural sul-coreana no Brasil, citando o sucesso de doramas e da animação 'Guerreiras do K-Pop'.
- A visita de Lee Jae-myung é a primeira de um presidente sul-coreano ao Brasil em 11 anos.
- O comércio bilateral entre os dois países somou cerca de US$ 11 bilhões em 2025, valor considerado abaixo do potencial pelas lideranças.
- A iniciativa faz parte da estratégia brasileira de diversificar mercados diante de tensões tarifárias globais.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva recebeu, em Brasília, o presidente da Coreia do Sul, Lee Jae-myung, em uma visita de Estado que marca o fortalecimento das relações diplomáticas entre as nações. O encontro resultou na criação de um grupo de trabalho, coordenado pelo vice-presidente Geraldo Alckmin, com o objetivo de destravar as negociações de um acordo de livre comércio entre o Mercosul e o país asiático. A medida é vista como um passo fundamental para ampliar a integração econômica e diversificar os mercados brasileiros em um cenário de incertezas globais e novas tarifas impostas pelos Estados Unidos. Durante as conversas, Lula enfatizou que o Brasil retomou sua presença estratégica na Ásia nos últimos anos e que a parceria bilateral possui um potencial de crescimento ainda inexplorado. O comércio entre os dois países, que atingiu US$ 11 bilhões em 2025, foi classificado pelos líderes como insuficiente diante da capacidade produtiva e tecnológica de ambos os lados. Além da pauta comercial, o encontro selou acordos de cooperação em minerais críticos, essenciais para a transição energética e a fabricação de baterias, além de memorandos em setores como energia renovável, aeroespacial e educação. O presidente brasileiro também ressaltou a relevância da cultura sul-coreana no Brasil, mencionando o impacto global de produções como doramas e a animação 'Guerreiras do K-Pop' como símbolos do desenvolvimento educacional e industrial da Coreia do Sul. A visita reforça o Plano de Ação Brasil-Coreia 2026-2029, consolidando uma agenda de cooperação que abrange desde a segurança alimentar — com a expectativa de abertura do mercado de carne bovina — até o intercâmbio tecnológico e esportivo, reafirmando o compromisso de ambos os governos com o multilateralismo e a estabilidade internacional.
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