Visão geral
As relações entre o Brasil e a Coreia do Sul são caracterizadas por uma crescente cooperação em diversas áreas, incluindo comércio, tecnologia, agricultura e desenvolvimento agrário. Ambos os países buscam fortalecer os laços bilaterais por meio de visitas de alto nível, fóruns empresariais e acordos de parceria que visam impulsionar o intercâmbio econômico e tecnológico. A visita presidencial brasileira à Coreia do Sul em fevereiro de 2026 confirmou o bom momento nas relações diplomáticas, que existem desde 1959. O comércio bilateral, que atualmente gira em torno de US$ 11 bilhões, busca superar o recorde de quase US$ 15 bilhões registrado em 2011, com a Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil) identificando 280 oportunidades para produtos brasileiros no mercado coreano.
Contexto histórico e desenvolvimento
A aproximação entre Brasil e Coreia do Sul tem se intensificado, com foco na ampliação do comércio e na colaboração estratégica. Um marco recente dessa relação é a visita presidencial brasileira à Coreia do Sul, que visa consolidar parcerias e explorar novas oportunidades de negócios. O governo brasileiro tem demonstrado interesse em alavancar negócios em setores como agricultura, aviação, saúde, ciência e tecnologia, buscando a assinatura de planos de ação e a participação de empresas em fóruns empresariais. A conexão pessoal entre os líderes, como evidenciado pelo presidente sul-coreano Lee Jae-myung ao destacar suas trajetórias semelhantes de superação, também contribui para o fortalecimento dos laços bilaterais.
Historicamente, o Brasil e a Coreia do Sul apresentaram trajetórias econômicas distintas. Nos anos 1960, o PIB per capita coreano era menos da metade do brasileiro. No entanto, enquanto o Brasil, a partir dos anos 1990, adotou políticas neoliberais, a Coreia do Sul continuou a investir no papel indutor do Estado em setores estratégicos, resultando em um PIB per capita que hoje é três vezes maior que o brasileiro e tornando-a um dos principais polos tecnológicos do mundo. Essa experiência coreana é vista como um exemplo de que o crescimento sustentado depende de uma economia variada e sofisticada, capaz de absorver mão de obra qualificada e de que a elevação da escolaridade da população é um investimento valioso.
Linha do tempo
- 22 a 24 de fevereiro de 2026: Visita oficial do presidente Luiz Inácio Lula da Silva à Coreia do Sul.
- 23 de fevereiro de 2026: Reuniões do presidente Lula com o presidente sul-coreano, Lee Jae Myung, e CEOs de grandes empresas. Durante o encontro, foram assinados 10 acordos de cooperação em diversas áreas do comércio e em minerais críticos. Os dois países também traçaram um plano de quatro anos que estabelece relações bilaterais em áreas como política, economia e intercâmbios. Lula enfatizou a colaboração em setores intensivos em conhecimento, como minerais críticos, semicondutores e baterias, visando agregar valor e produzir tecnologia no Brasil. Foram destacadas oportunidades de cooperação nas áreas aeroespacial (incluindo a operação da start-up coreana Innospace no Centro de Lançamento de Alcântara e o diálogo entre agências espaciais para compartilhamento de dados de satélites e exploração lunar), de saúde (fabricação conjunta de vacinas, fármacos e insumos médicos, com menção ao laboratório Órion e à Fiocruz), cosméticos e cultural.
- 23 de fevereiro de 2026: O presidente sul-coreano Lee Jae-myung publica um vídeo feito com inteligência artificial em que ele e Lula aparecem se abraçando na infância, enfatizando suas origens de classe trabalhadora e chamando-os de "irmãos".
- 23 de fevereiro de 2026: Encerramento de um fórum empresarial Brasil-Coreia, com a participação de 230 empresas dos dois países.
- Durante a visita: Previsão de assinatura de um plano de ações a serem implementadas até 2029, abrangendo áreas como agricultura, aviação, comércio, saúde, cooperação financeira, cosméticos, fármacos, ciência e tecnologia.
Principais atores
- Brasil: Representado pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva, pelo Ministério das Relações Exteriores (Itamaraty) e pela Agência Brasileira de Promoção de Exportações (ApexBrasil). Instituições como a Fiocruz e outras fundações estaduais de saúde, bem como o laboratório de biossegurança Órion, são importantes na cooperação em saúde. Programas como o Programa de Aceleração de Crescimento (PAC), o Programa Nova Indústria Brasil (NIB), o Programa Mobilidade Verde e Inovação (MOVER) e o Plano de Transformação Ecológica também são relevantes para atrair investimentos.
- Coreia do Sul: Representada pelo presidente Lee Jae Myung, que assumiu o governo sul-coreano em junho de 2025. Sua trajetória é marcada pela pobreza, trabalho infantil e superação, tendo sofrido um acidente que lhe causou lesão permanente no braço aos 13 anos. Ele tem enfatizado a conexão pessoal com o presidente Lula devido às suas origens semelhantes. Também são atores importantes os CEOs de grandes empresas sul-coreanas e a start-up Innospace, que opera no Centro de Lançamento de Alcântara.
- Empresas brasileiras e sul-coreanas: 230 empresas participaram do Fórum Empresarial Brasil-Coreia, buscando oportunidades de negócios e parcerias.
Termos importantes
- Fórum Empresarial: Evento que reúne empresários e representantes governamentais de diferentes países para discutir oportunidades de negócios, investimentos e parcerias comerciais.
- Plano de Ações: Documento que estabelece metas, estratégias e atividades a serem desenvolvidas em um período determinado para alcançar objetivos específicos de cooperação bilateral.
- Inteligência Artificial (IA): Tecnologia utilizada para criar conteúdo, como o vídeo que retratou os presidentes do Brasil e da Coreia do Sul na infância, simbolizando a conexão entre suas trajetórias.
- Minerais Críticos: Minerais essenciais para tecnologias modernas, como eletrônicos e veículos elétricos, e que são de interesse estratégico para a cooperação entre Brasil (produtor) e Coreia do Sul (consumidor/processador).
- Multilateralismo: Princípio de cooperação entre múltiplos países para resolver problemas comuns e promover interesses compartilhados, em contraste com o protecionismo comercial.
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