FMI recomenda cautela ao Banco Central e reforço no esforço fiscal
O Fundo Monetário Internacional defende que o Brasil adote uma política monetária dependente de dados e intensifique medidas fiscais para fortalecer a economia diante de incertezas globais.
Pontos principais
- O FMI sugere um ritmo mais lento na redução da taxa Selic devido ao cenário internacional adverso.
- A instituição defende a necessidade de um esforço fiscal mais ambicioso, com limites de gastos e âncoras de dívida.
- O relatório recomenda que o Banco Central receba autonomia financeira e orçamentária para ampliar sua supervisão.
- O Fundo elogiou o impacto do Pix na inclusão financeira e na concorrência do sistema bancário brasileiro.
- A projeção de crescimento do PIB brasileiro foi revisada pelo FMI para 2,4% em 2026.
- O impacto das novas tarifas comerciais impostas pelos Estados Unidos ao Brasil deve ser modesto, segundo o Fundo.
- Especialistas do mercado financeiro corroboram a visão de que a inflação global deve limitar novos cortes de juros.
O Fundo Monetário Internacional (FMI) concluiu a consulta do Artigo IV para o Brasil, recomendando que o Banco Central mantenha uma política monetária flexível e estritamente dependente de dados. Diante das incertezas globais, agravadas por tensões no Oriente Médio e mudanças na política comercial dos Estados Unidos sob a gestão Trump, o Fundo considera apropriada a desaceleração no ritmo de cortes da taxa Selic. Paralelamente, a instituição enfatizou a importância de um esforço fiscal mais ambicioso, sugerindo que o governo vincule o crescimento das despesas públicas a receitas estruturais para garantir a sustentabilidade da dívida de médio prazo.
Além das diretrizes macroeconômicas, o FMI destacou a resiliência do sistema financeiro nacional e o sucesso do Pix como motor de digitalização e concorrência bancária. O relatório também defende a concessão de autonomia financeira e orçamentária ao Banco Central, medida que visa mitigar restrições operacionais e fortalecer a capacidade de supervisão da autoridade monetária. Embora o cenário externo apresente desafios, a avaliação do Fundo indica que o impacto das tarifas americanas sobre a economia brasileira deve ser limitado, reforçando a capacidade de adaptação do país frente a choques externos.
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