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Logan, do Fed de Dallas, defende juros mais altos apesar de inflação menor

A inflação no atacado caiu 0,3% em junho e a chance de alta em setembro recuou de 47% para 17% na ferramenta CME FedWatch.

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17/07 às 09:00

Pontos principais

  • A presidente do Fed de Dallas, Lorie Logan, disse em 16 de julho que acredita que "juros modestamente mais altos equilibrariam melhor" as metas do FOMC.
  • Logan argumentou que a inflação "esteve alta demais, por tempo demais, e não parece estar a caminho de voltar totalmente aos 2%".
  • Logan afirmou que o desemprego ficou em média em 4,3% no primeiro semestre de 2026, praticamente igual ao de um ano antes.
  • Segundo ela, empregadores criaram em média 92 mil vagas por mês no semestre, e o mercado de trabalho está "bem equilibrado e talvez até se fortalecendo um pouco".
  • A inflação no atacado dos EUA caiu 0,3% de maio para junho, puxada pelo tombo dos preços de energia, mais fraca que a estabilidade esperada.
  • Depois do dado do PPI, a ferramenta CME FedWatch passou a projetar 17% de chance de alta de juros em setembro, contra 47% na manhã anterior.
  • A diretora do Fed Lisa Cook disse que a inflação segue 1,7 ponto percentual acima da meta de 2% e que os riscos de inflação superam os de emprego.

Os dados da semana puxaram para o lado oposto ao do discurso de Logan. O núcleo do PPI (índice de preços ao produtor) subiu 4,7%, abaixo da expectativa de 5,1%, e o índice cheio caiu 0,3% no mês. Os pedidos de auxílio-desemprego na semana encerrada em 11 de julho caíram 8 mil, para 208 mil — abaixo dos 217 mil a 218 mil esperados e o menor número desde o início de maio. Os pedidos continuados recuaram para 1,805 milhão, ante 1,821 milhão na semana anterior.

O consumo desacelerou: as vendas no varejo subiram 0,2% em junho, informou o Departamento de Comércio, bem abaixo da alta revisada de 1% de maio e da expectativa de 0,3%; excluindo postos de gasolina, os gastos subiram 0,7%. Lisa Cook citou dois choques inesperados de preços neste ano — o conflito no Oriente Médio e o aumento dos investimentos em infraestrutura de IA — e a intensificação das hostilidades com o Irã segue obscurecendo as perspectivas.

Fonte primária

Federal Reserve Bank of Dallas

Remarks on inflation, employment and monetary policy — President Lorie Logan

Em discurso de 16 de julho de 2026 na filial de Houston, Logan diz que a inflação PCE ficou em 4,1% nos 12 meses até maio e que o CPI de junho até aliviou no mês, mas "um mês de alívio não é suficiente". Ela argumenta que é preciso olhar a tendência, não o dado do mês: o Trimmed Mean PCE do Dallas Fed está em 2,4%, mas sua equipe estima que uma mudança na composição dos preços está descartando aumentos demais, distorcendo o indicador para baixo. Já o core PCE está em 3,4% (subiu 0,4 ponto desde dezembro) e o modelo de tendência central do Fed de Nova York também aponta 3,4%, patamar em que já está há cerca de três anos. A inflação de serviços não habitacionais de mercado (menos afetada por tarifas/energia) está perto de 3% desde meados de 2024 sem avançar, e até acelerou um pouco na primavera. Salários ajustados por produtividade estão consistentes com 2% de inflação, mas isso não é boa notícia para os trabalhadores porque a inflação real segue bem acima da meta — e contatos empresariais no Texas já relatam reajustes salariais maiores para compensar o custo de vida. No mercado de trabalho, o desemprego mediu 4,3% no primeiro semestre de 2026 (perto do menor nível sustentável) e a criação de empregos ficou em média de 92 mil por mês, superando levemente o crescimento da força de trabalho — sinal de mercado equilibrado. Seu julgamento é que a inflação caminha para a "faixa dos 2 e poucos" (mid-2's), não de volta a 2%, com riscos concentrados para cima: nova escalada de conflito no Oriente Médio elevando o petróleo, restrições de capacidade em refinarias e um possível boom de investimento em IA pressionando preços de forma não linear (já visível em chips). Conclusão: "atualmente acredito que juros modestamente mais altos equilibrariam melhor o cenário e os riscos para as metas de emprego máximo e estabilidade de preços do FOMC" — melhor restrição modesta agora do que restrição severa depois. Ela ressalva que a visão é pessoal, não necessariamente a do FOMC.

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