Irã sepulta Ali Khamenei em meio a escalada militar com os EUA
Após quatro meses de preservação do corpo, o Irã realizou o sepultamento do aiatolá Ali Khamenei em Mashhad sob clima de alta tensão e novos ataques.
Pontos principais
- Ali Khamenei foi morto em 28 de fevereiro durante uma operação conjunta entre Estados Unidos e Israel.
- O sepultamento ocorreu no Santuário de Imam Reza, em Mashhad, após meses de adiamento por questões de segurança.
- O Irã lançou ataques com drones contra bases americanas no Bahrein, Kuwait e Catar em retaliação a bombardeios dos EUA.
- O governo iraniano reportou 14 mortos e 78 feridos após ataques americanos que atingiram 90 alvos militares no país.
- O Ministério das Relações Exteriores do Irã classificou os ataques dos EUA a infraestruturas civis como crimes de guerra.
- O serviço ferroviário entre Teerã e Mashhad foi suspenso após danos em pontes na rota do cortejo fúnebre.
- O presidente Donald Trump declarou o fim do cessar-fogo, embora tenha mantido a possibilidade de negociações diplomáticas.
- A sociedade iraniana apresenta profunda polarização sobre o legado de décadas de governo de Khamenei.
- Mojtaba Khamenei, sucessor nomeado, manteve-se ausente das cerimônias públicas durante todo o período fúnebre.
- A preservação do corpo por quatro meses seguiu normas religiosas, utilizando métodos como a refrigeração.
O Irã concluiu nesta quinta-feira o sepultamento do aiatolá Ali Khamenei, ex-líder supremo do país, no Santuário de Imam Reza, em Mashhad. A cerimônia, que encerra um longo período de cortejos públicos, ocorreu em um cenário de instabilidade extrema, marcada pela recente retomada das hostilidades militares entre Teerã e Washington. O corpo de Khamenei, morto em fevereiro durante uma operação conjunta dos Estados Unidos e Israel, foi mantido preservado por quatro meses, uma medida que autoridades iranianas justificaram como necessária devido a desafios logísticos e de segurança impostos pelo conflito regional.
O sepultamento foi acompanhado por uma escalada de violência no Golfo Pérsico. Em retaliação a bombardeios americanos que atingiram cerca de 90 alvos militares iranianos, o Irã lançou ataques com drones kamikaze contra bases dos Estados Unidos no Bahrein, Kuwait e Catar. O governo iraniano denunciou os ataques americanos a infraestruturas civis, como pontes ferroviárias, como crimes de guerra, enquanto o presidente Donald Trump declarou oficialmente o fim do cessar-fogo vigente. A tensão militar coloca em risco a estabilidade do Estreito de Ormuz, ponto estratégico vital para o comércio global.
Internamente, o funeral evidenciou a profunda divisão na sociedade iraniana. Enquanto apoiadores do regime linha-dura realizaram demonstrações de força e entoaram pedidos de vingança contra o governo americano, críticos apontam o legado de Khamenei como um período de repressão política e crise econômica. A ausência pública de Mojtaba Khamenei, filho e sucessor nomeado do aiatolá, durante todas as etapas das cerimônias, adiciona uma camada de incerteza sobre a sucessão e o futuro da teocracia iraniana em um momento de isolamento diplomático e pressão militar externa.
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