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Suprema Corte limita poder de Trump sobre o Fed e a FTC

A Suprema Corte decidiu que o presidente pode demitir reguladores da FTC, mas protegeu a autonomia do Fed ao impedir a remoção de Lisa Cook.

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Foto: G1 Mundo
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29/06 às 14:03 · atualizado 30/06 às 01:32

Pontos principais

  • A Suprema Corte decidiu que o presidente pode demitir funcionários de agências reguladoras como a FTC, derrubando um precedente de 1935.
  • O tribunal rejeitou, por 5 votos a 4, a tentativa de Donald Trump de remover a governadora do Federal Reserve, Lisa Cook.
  • A decisão estabelece que membros do Fed não podem ser removidos sem justa causa e procedimentos estatutários específicos.
  • Lisa Cook continuará no cargo enquanto o processo judicial sobre sua tentativa de remoção segue em curso.
  • Trump declarou descontentamento com a decisão e prometeu buscar formas de alinhar as decisões do Fed aos interesses de seu governo.
  • O governo mantém investigações contra o banco central e o presidente Jerome Powell, interpretadas como retaliação política.
  • O caso intensifica o debate sobre a governança e a autonomia das instituições financeiras americanas.
  • O veredito final reforça a distinção jurídica entre agências reguladoras comuns e a independência do banco central.

A Suprema Corte dos Estados Unidos estabeleceu um novo precedente ao decidir que o presidente possui autoridade para demitir altos funcionários de agências reguladoras, como a FTC, derrubando uma norma estabelecida em 1935. A decisão, aprovada por 6 votos a 3, fundamenta-se no princípio da separação de Poderes e permite a destituição de membros como Rebecca Kelly Slaughter, ampliando o controle do Executivo sobre órgãos regulatórios. O presidente Donald Trump celebrou o veredito como uma vitória histórica, classificando a mudança como um objetivo de longa data para a administração federal.

Em um julgamento paralelo, o tribunal decidiu por 5 votos a 4 manter a proteção à diretora do Federal Reserve, Lisa Cook, impedindo sua demissão imediata. Esta foi a primeira vez na história que um presidente tentou remover um membro do conselho do Fed, tornando a decisão um marco na preservação da autonomia da instituição. O tribunal tratou o banco central como uma exceção jurídica, determinando que o presidente não pode remover membros do Fed sem justa causa e sem seguir procedimentos estatutários rigorosos, visando blindar a política monetária de interferências políticas. A decisão permite que Cook permaneça em suas funções enquanto o processo judicial contra a tentativa de remoção segue em curso.

Após o veredito, Donald Trump manifestou publicamente seu descontentamento com a permanência de Cook, prometendo tomar medidas adicionais para alinhar as decisões do banco central aos interesses do país. A tentativa de destituição, justificada inicialmente por alegações de fraude hipotecária consideradas infundadas, reflete a tensão contínua entre a Casa Branca e a autoridade monetária. Enquanto o governo pressiona por taxas de juros mais baixas, analistas interpretam as investigações contra o presidente Jerome Powell e as críticas a Cook como uma retaliação política, mantendo o impasse sobre a governança e a autonomia das instituições financeiras americanas.

Fontes primárias

Suprema Corte dos Estados Unidos

Trump v. Cook — No. 25A312 (Suprema Corte dos EUA, 29 jun. 2026)

A Suprema Corte negou, por maioria, o pedido do governo Trump para suspender a liminar que impede a demissão de Lisa Cook, membro do Board of Governors do Federal Reserve. Cook foi demitida em agosto de 2025 — primeira governadora demitida nos 111 anos de história do Fed — após Trump alegar 'causa' baseada em suspeita de fraude hipotecária. A Corte concluiu que o governo não demonstrou probabilidade de êxito no mérito: aceitar a tese presidencial transformaria a proteção for-cause dos governadores em emprego à vontade ('at-will'), contradizendo o texto da lei e a tradição americana de banco central independente de interferência política. O Fed foi criado em 1913 justamente para isolar a política monetária de pressões eleitorais; essa tradição foi reiterada nas reformas de 1933 e 1935. Cook, cujo mandato se estende até 2038, permanece no cargo enquanto o mérito da ação é decidido.

Suprema Corte dos Estados Unidos

Trump v. Slaughter — No. 25-332 (Suprema Corte dos EUA, 29 jun. 2026)

A Suprema Corte declarou inconstitucional a cláusula de proteção for-cause da Federal Trade Commission (15 U.S.C. §41), que permitia ao presidente demitir comissários apenas por 'ineficiência, negligência ou má conduta'. Trump havia demitido as comissárias democratas Rebecca Slaughter e Alvaro Bedoya em janeiro de 2025 sem invocar causa legal, alegando autoridade direta pelo Art. II da Constituição. A Corte entendeu que a cláusula viola a separação de poderes: o Poder Executivo é unitário, e o presidente deve poder remover livremente os oficiais que o auxiliam na execução das leis. A decisão reverte Humphrey's Executor v. United States (1935), que havia estabelecido a proteção dos comissários da FTC. Com isso, os cinco comissários da FTC passam a servir à discrição do presidente.

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