A Apple reajustou preços de dispositivos entre 15% e 25% globalmente para compensar o encarecimento de chips de memória, mantendo o iPhone inalterado.
A Apple anunciou um reajuste significativo nos preços de seu portfólio de hardware, com aumentos variando entre 15% e 25% para computadores Mac e tablets iPad. A decisão estratégica visa mitigar o impacto financeiro causado pela escassez global de chips de memória e armazenamento, insumos que sofreram uma valorização rápida devido à expansão de data centers voltados para inteligência artificial. No Brasil, o impacto foi imediato, com o MacBook Neo atingindo R$ 8.499 e o iPad padrão saltando para R$ 5.999. Após o anúncio, as ações da companhia registraram queda de 5,3%, refletindo a preocupação dos investidores com a escalada dos custos de produção.
O fenômeno, apelidado por analistas de 'RAMageddon', ocorre porque fabricantes de semicondutores estão priorizando contratos de longo prazo com gigantes da tecnologia para atender à infraestrutura de IA. Essa mudança de foco reduziu a disponibilidade de componentes para o mercado de consumo, forçando um aumento nos custos que afeta a competitividade da Apple. Além do impacto financeiro, o CEO Tim Cook alertou que a escassez deve persistir ao longo do ano, causando gargalos logísticos, atrasos no lançamento de novos produtos e restrições de estoque em diversas regiões globais.
Este cenário de crise de suprimentos marca um período de transição na liderança da empresa. John Ternus, sucessor de Cook, assumirá o cargo de CEO em 1º de setembro, herdando o desafio de gerenciar a pressão sobre as margens de lucro e a estabilidade da cadeia de suprimentos. Apesar da abrangência do reajuste em diversos segmentos de hardware, a linha de smartphones iPhone, bem como o Apple Watch e os AirPods, não sofreu alterações de valor nesta rodada de ajustes operacionais. Consultorias do setor alertam que a escassez de componentes deve continuar pressionando as vendas globais de PCs e dispositivos móveis ao longo de 2026.
Em nota oficial divulgada pela Reuters em 25 de junho de 2026, a Apple afirmou: 'Nunca vimos um aumento no preço de componentes tão alto, tão rápido. Temos protegido nossos clientes desses aumentos até agora, mas chegamos a um ponto onde precisamos começar a aumentar os preços em vários produtos, incluindo os aumentos de hoje para iPad e Mac. Sabemos que esta não é uma boa notícia e estamos trabalhando incansavelmente para encontrar soluções.' Os reajustes implementados nos EUA foram: MacBook Neo ($599→$699), MacBook Air 13" ($1.099→$1.299), MacBook Air 15" ($1.299→$1.499), MacBook Pro M5 ($1.699→$1.999), MacBook Pro M5 Pro ($2.199→$2.499), MacBook Pro M5 Max ($3.599→$4.099), iMac ($1.299→$1.499), Mac Studio M4 Max ($1.999→$2.499), Mac Studio M3 Ultra ($3.999→$5.299), iPad ($349→$449), iPad Air 11" ($599→$749), iPad Air 13" ($749→$949), iPad Pro 11" ($999→$1.199), iPad Pro 13" ($1.299→$1.499), iPad mini ($499→$599). Preços de iPhone, Apple Watch e AirPods não foram alterados.
Em entrevista ao The Wall Street Journal publicada em 17 de junho de 2026, o CEO Tim Cook confirmou que aumentos de preços seriam 'inevitáveis' em razão do custo crescente de chips de memória e armazenamento. 'Estamos fazendo o nosso melhor para mitigar os enormes aumentos que estão sendo repassados a nós, e temos tentado proteger nossos clientes dos aumentos, mas a situação tornou-se insustentável', disse Cook. O executivo atribuiu a escassez ao volume de memória de alta largura de banda consumido por servidores de IA de empresas como Nvidia e OpenAI: 'Há menos oferta ao mesmo tempo em que consumidores querem dispositivos e os fabricantes de memória estão repassando enormes aumentos de preços.' Cook descreveu o cenário como uma 'inundação de cem anos' e afirmou ser algo que nunca havia visto 'em nenhuma área em mais de 40 anos'.
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