Operação Juros Zero investiga descontos indevidos de R$ 81,7 mi no DF
Investigação apura fraudes em crédito consignado envolvendo PicPay e BRB; bancos negam irregularidades e ações da fintech recuam mais de 4%.
Pontos principais
- A Operação Juros Zero apura descontos indevidos de R$ 81,7 milhões em contracheques de servidores do GDF.
- Cerca de 50 mandados de busca e apreensão foram cumpridos contra executivos e ex-gestores em Brasília, Curitiba e São Paulo.
- O MPDFT investiga falta de transparência em taxas administrativas e estruturas contratuais das operações financeiras.
- O CEO do PicPay, Eduardo Chedid, e o ex-presidente do BRB, Paulo Henrique Costa, estão entre os alvos da investigação.
- O BRB negou ter contrato direto com o PicPay e afirmou que não participa da concessão dos empréstimos investigados.
- O PicPay sustenta que seus produtos seguem as normas vigentes e que valores antecipados eram solicitados diretamente pelos usuários.
- As ações do PicPay registraram queda superior a 4% no pregão após a repercussão da operação.
O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) e a Polícia Civil deflagraram a Operação Juros Zero para investigar descontos indevidos que somam R$ 81,7 milhões em salários e pensões de servidores públicos. A apuração, que resultou no cumprimento de 50 mandados de busca e apreensão, foca na legalidade de contratos de crédito consignado. O Tribunal de Contas do DF (TCDF) identificou um volume atípico de descontos em folha de pagamento entre 2024 e 2025, motivando a ação que também apura suspeitas de falta de transparência em taxas administrativas e estruturas contratuais.
Em resposta às investigações, o Banco de Brasília (BRB) esclareceu que não possui contrato direto com o PicPay e que não participa da concessão dos empréstimos sob suspeita. A instituição afirmou que sua atuação se limita à operacionalização técnica de descontos em folha de pagamento, realizada por meio da BRB Serviços, que possui CNPJ distinto. Por sua vez, o PicPay negou qualquer irregularidade, reforçando que suas operações seguem a legislação vigente e que os valores antecipados eram solicitados diretamente pelos usuários via aplicativo. A empresa declarou que continua colaborando com as autoridades para esclarecer a regularidade de suas atividades.
O mercado financeiro reagiu negativamente à deflagração da operação, com as ações do PicPay registrando uma desvalorização superior a 4% durante o pregão. A queda reflete a preocupação dos investidores com os desdobramentos jurídicos e reputacionais da investigação, que coloca sob escrutínio as práticas de concessão de crédito da fintech no setor público. Enquanto isso, a Secretaria de Economia do DF afirmou que colabora integralmente com as autoridades e ressaltou que os contratos sob investigação foram firmados em gestões anteriores.
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