Daily Journal
Urgente
Daily Journal

Trump assina acordo com Irã e mercados reagem a decisões de juros

Acordo entre EUA e Irã reduz tensões no Estreito de Ormuz, enquanto mercados globais digerem a postura rígida de Kevin Warsh sobre a inflação no Fed.

Daily Journal
Foto: InfoMoney
||
18/06 às 06:15 · atualizado 09:32

Pontos principais

  • O acordo entre EUA e Irã prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e a retirada gradual de sanções ao petróleo iraniano.
  • O Copom reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano, enquanto o Federal Reserve manteve os juros americanos entre 3,50% e 3,75%.
  • A formalização do pacto diplomático impulsionou os futuros de ações e provocou a queda nos preços do petróleo.
  • O rendimento dos títulos do Tesouro americano de curto prazo disparou após a primeira coletiva de Kevin Warsh como presidente do Fed.
  • Investidores aumentaram as apostas em um possível aumento das taxas de juros americanas já no próximo mês, diante da retórica de Warsh contra a inflação.
  • O Ibovespa recuou 0,7% diante da cautela com a política monetária dos EUA e tensões diplomáticas entre Brasil e Washington.
  • O presidente Lula defendeu a soberania brasileira após críticas de Donald Trump, que classificou o Brasil como um país politicamente perigoso.

O presidente Donald Trump e o líder iraniano formalizaram um memorando para encerrar o conflito entre as nações, garantindo a reabertura do Estreito de Ormuz e o alívio de sanções ao setor petrolífero. A oficialização do acordo, que minimizou justificativas anteriores para o confronto, impactou o sentimento de risco global, impulsionando os futuros de ações e reduzindo os preços do petróleo. No Brasil, o Copom reduziu a taxa Selic para 14,25% ao ano, enquanto o Federal Reserve manteve os juros americanos no patamar de 3,50% a 3,75%.

O cenário financeiro foi marcado pela estreia de Kevin Warsh na liderança do Federal Reserve. Sua primeira coletiva de imprensa provocou uma disparada nos rendimentos dos títulos do Tesouro de curto prazo, à medida que investidores interpretaram seus comentários como um sinal de postura mais rígida contra a inflação, elevando as apostas de um possível aumento de juros já no próximo mês. Paralelamente, o Ibovespa recuou 0,7%, pressionado pela incerteza sobre a política monetária nos EUA e pelo atrito diplomático entre o governo brasileiro e a administração Trump. Analistas agora monitoram como a estabilização geopolítica no Oriente Médio e a nova postura do Fed moldarão o fluxo de capitais, enquanto as negociações sobre o programa nuclear iraniano permanecem como ponto de atenção para os próximos 60 dias.

Fonte primária

EUA e Irã (Memorando de Islamabad, texto integral)

Memorando de Entendimento de Islamabad — EUA e Irã (14 pontos)

Memorando de Entendimento assinado entre os EUA e a República Islâmica do Irã, com 14 pontos. (1) Declara o fim imediato e permanente das operações militares em todas as frentes, incluindo o Líbano, e o compromisso de não voltar a guerrear. (2) As partes respeitam a soberania e não interferem em assuntos internos. (3) Compromisso de negociar um acordo final em até 60 dias, prorrogáveis por consenso mútuo. (4) Os EUA iniciam imediatamente a remoção do bloqueio naval, concluída em até 30 dias. (5) O Irã garante a passagem segura de navios comerciais pelo Estreito de Ormuz, sem cobrança por 60 dias, com desminagem em até 30 dias. (6) Os EUA, com parceiros regionais, desenvolvem um plano de no mínimo US$ 300 bilhões para a reconstrução e o desenvolvimento econômico do Irã. (7) Os EUA terminam todas as sanções — da ONU, da AIEA e unilaterais — conforme cronograma acordado. (8) O Irã reafirma que não vai adquirir nem desenvolver armas nucleares; a destinação do material enriquecido será mutuamente acordada. (9) O Irã mantém o status atual de seu programa nuclear; os EUA não impõem novas sanções nem reforço militar. (10) O Tesouro dos EUA emite isenções imediatas para a exportação de petróleo iraniano. (11) Os EUA liberam integralmente os fundos iranianos congelados. (12) Cria-se um mecanismo executivo de supervisão da implementação. (13) Iniciada a implementação, as partes negociam as questões remanescentes. (14) O acordo final será endossado por resolução vinculante do Conselho de Segurança da ONU. O texto foi divulgado pelos EUA aos jornalistas (sem documento oficial em .gov) e assinado eletronicamente por ambas as partes.

Comentários

Carregando comentários...