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Netanyahu desafia acordo entre EUA e Irã e confirma candidatura à reeleição

O premiê israelense mantém operações militares no Líbano apesar do pacto mediado por Trump e anuncia que disputará as eleições previstas para o final deste ano.

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Foto: G1 Mundo
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15/06 às 13:15 · atualizado 21:03

Pontos principais

  • O acordo entre EUA e Irã prevê o fim das hostilidades e a reabertura do Estreito de Ormuz.
  • Benjamin Netanyahu declarou que Israel continuará mantendo tropas no Líbano para neutralizar ameaças.
  • O governo israelense pretende manter presença militar estratégica na Síria e na Faixa de Gaza.
  • Netanyahu confirmou que será candidato nas eleições previstas para o final deste ano.
  • O premiê enfrenta forte pressão da oposição pela condução da guerra e por um processo judicial de corrupção.
  • A decisão de manter forças no Líbano sinaliza a priorização da segurança nacional sobre pressões diplomáticas externas.

O primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, reafirmou que o país manterá suas forças militares no Líbano, desafiando diretamente as expectativas geradas pelo recente acordo de paz mediado pelos Estados Unidos com o Irã. O pacto, que visa encerrar o conflito iniciado em fevereiro, exige a interrupção das operações militares israelenses e a reabertura do Estreito de Ormuz. Contudo, Netanyahu declarou que a luta de Israel não terminou, sinalizando que o governo priorizará a manutenção de zonas de segurança e a presença militar estratégica na região, incluindo a Síria e a Faixa de Gaza, em detrimento das exigências do tratado assinado por Washington e Teerã.

Essa postura de desafio coloca o governo israelense em rota de colisão com a nova estratégia regional da administração de Donald Trump. Em meio a esse impasse diplomático, Netanyahu confirmou que disputará as próximas eleições, previstas para o final deste ano. O anúncio ocorre sob forte pressão da oposição, que questiona a eficácia da gestão do premiê durante o conflito em múltiplas frentes e aponta que os objetivos estratégicos estabelecidos não foram alcançados. Além da crise política, o premiê, que detém o recorde de permanência no cargo em Israel, continua respondendo a um processo judicial por corrupção, enquanto o debate público se intensifica diante do pleito que se aproxima.

Fonte primária

Gabinete do Primeiro-Ministro de Israel (vídeo na íntegra, 18min52s, via arquivo C-SPAN)

Coletiva de imprensa de Netanyahu após o acordo EUA–Irã — declaração na íntegra (15 jun 2026)

Primeira coletiva de Netanyahu em três meses, suas primeiras palavras públicas após o anúncio do entendimento EUA–Irã. Ele declara: 'Com acordo ou sem acordo, o Irã não terá armas nucleares — nem hoje nem amanhã; enquanto eu for primeiro-ministro de Israel, isso não vai acontecer', chamando esse objetivo de a missão de sua vida. Afirma ter 'salvado o Estado de Israel da ameaça de aniquilação nuclear' e lista como conquistas da campanha a eliminação de cientistas nucleares, a 'decapitação' da liderança do regime, a destruição de instalações nucleares, de mísseis e da maioria das fábricas de produção. Marca distância do acordo ('Esse acordo foi feito pelos Estados Unidos'): Israel não é signatário e não se considera limitado por ele para agir contra o programa nuclear iraniano nem contra o Hezbollah no Líbano. Anuncia que as tropas permanecerão nas 'zonas de segurança' em Gaza, Líbano e Síria 'pelo tempo que for necessário' — 'nossa luta ainda não terminou' — e cita um incidente de horas antes (quatro militantes mortos no sul do Líbano). Sobre mudança de regime, diz que nunca foi a meta declarada (o objetivo era criar condições para que os iranianos derrubem o regime) e que 'há rachaduras' em Teerã, sem prever quando cairá. Confirma ainda que disputará as próximas eleições.

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