Pesquisa da Fiocruz revela que a tuberculose, principal causa de morte de escravizados no Rio no século 19, ainda atinge majoritariamente negros hoje.
Um estudo desenvolvido pela Fiocruz demonstrou que a tuberculose, doença que liderava as causas de morte entre a população escravizada no Rio de Janeiro entre 1833 e 1849, mantém uma prevalência desproporcional entre pessoas negras na atualidade. Utilizando ferramentas de Humanidades Digitais, os pesquisadores mapearam registros paroquiais e de sepultamento do século 19, cruzando-os com estatísticas recentes da Secretaria Municipal de Saúde, que apontam que 71% dos casos da doença na capital fluminense acometem a população negra. A pesquisa destaca que a permanência dessa disparidade sanitária é um reflexo direto do racismo estrutural e das desigualdades históricas no acesso a serviços de saúde. O projeto, que busca compreender a continuidade dessas dinâmicas sociais, terá sua abrangência ampliada para incluir análises de dados em Salvador e Luanda, aprofundando o debate sobre a saúde da população afrodescendente.
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