Negociações entre EUA e Irã sinalizam alívio nas tensões globais
O avanço do 'Acordo de Islamabad' estabiliza o mercado de energia, com o Brent em queda de 5,1% e negociações avançadas para assinatura em Genebra ou no G7.
Pontos principais
- O 'Acordo de Islamabad' prevê a reabertura do Estreito de Ormuz e um cessar-fogo de 60 dias.
- O memorando de 14 pontos inclui a retirada de forças americanas e planos de reconstrução econômica.
- O presidente Donald Trump confirmou que o acordo pode ser assinado em breve, suspendendo ataques planejados.
- O Estreito de Ormuz é uma rota estratégica que movimenta cerca de 20% a 25% do comércio global de petróleo.
- Contratos futuros do Brent caíram 5,1% e o gás europeu recuou 8,4% após a divulgação da minuta do pacto.
- Diplomatas indicam que a assinatura pode ocorrer em Genebra ou durante a cúpula do G7, em Evian, na França.
- Ações de marcas de luxo como LVMH e Hermès subiram até 5% com a expectativa de redução das tensões.
O avanço nas negociações diplomáticas entre os Estados Unidos e o Irã trouxe um novo cenário de otimismo aos mercados globais. O chamado 'Acordo de Islamabad', articulado pelo governo Trump, propõe a reabertura do Estreito de Ormuz e um cessar-fogo de 60 dias. O presidente Donald Trump afirmou que o pacto poderia ser assinado ainda neste fim de semana, decisão que levou ao cancelamento de ataques militares que estavam planejados contra o Irã. Autoridades e diplomatas indicam que, além de Genebra, a cúpula do G7, que ocorrerá em Evian, na França, entre os dias 15 e 17 de junho, surge como um possível palco estratégico para a formalização do memorando de 14 pontos.
O mercado reagiu prontamente à sinalização de paz. Os contratos futuros do petróleo Brent registraram queda de 5,1%, enquanto o gás natural europeu recuou 8,4%, refletindo a expectativa de normalização do fluxo comercial na região, que movimenta até 25% do petróleo mundial. Além do setor energético, ações de marcas de luxo europeias, como LVMH e Hermès, valorizaram-se até 5% com a perspectiva de redução das tensões geopolíticas globais. A assinatura do documento é vista como um passo crítico para a estabilização econômica internacional.
Embora o rascunho atual tenha deixado questões nucleares para negociações futuras para garantir a celeridade do processo, o governo israelense mantém apoio condicional ao pacto, priorizando a estabilidade regional. Apesar do otimismo, analistas financeiros mantêm cautela, citando a persistência de riscos de segurança, como o recente relato de forças americanas abatendo drones iranianos na região, e o histórico de tentativas de acordos anteriores que não se concretizaram. O sucesso da implementação do pacto, que conta com a participação do vice-presidente JD Vance nas tratativas, segue como o principal foco de monitoramento dos investidores.
Fontes primárias
Post no Truth Social — cancelamento dos ataques e aprovação do acordo com o Irã
Em post de 11 de junho de 2026 (13h28 ET), Trump anuncia que, com base no fato de que as discussões com a República Islâmica do Irã chegaram ao mais alto nível da liderança iraniana e foram aprovadas, cancelou, como presidente dos EUA, os ataques e bombardeios programados contra o Irã naquela noite. Afirma que as discussões e os pontos finais foram aprovados, "em conceito e em grande detalhe", por todas as partes envolvidas — Estados Unidos, Israel, Arábia Saudita, Emirados Árabes Unidos, Catar, Turquia, Paquistão, Bahrein, Kuwait, Jordânia, Egito e outros. O bloqueio naval permanecerá em pleno vigor até a finalização da "Transação"; hora e local da assinatura seriam anunciados em breve.
Declarações do porta-voz Esmaeil Baghaei sobre o entendimento com os EUA
Em entrevista na noite de 11 de junho de 2026, o porta-voz da chancelaria iraniana, Esmaeil Baghaei, afirma que "textualmente, o texto está quase finalizado em suas partes principais", mas que as posições contraditórias dos EUA têm causado turbulência no processo — autoridades americanas mudaram repetidamente de posição, levantaram exigências irreais e realizaram ataques militares durante as negociações. Diz que as linhas vermelhas do Irã são os interesses e o bem-estar da nação iraniana, sem qualquer compromisso nesse ponto. Sobre hora e local de uma cerimônia de assinatura, classifica as especulações como "adivinhação": as autoridades competentes precisam revisar cada detalhe do texto e, quando houver conclusão final, será anunciada oficialmente. Mediadores do Paquistão e do Catar seguem ativos, embora a via diplomática tenha sido afetada pelas "agressões ilegais" dos EUA.
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