PF cumpre mandados de busca contra Cláudio Castro em operação
A PF investiga desvios de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência no Banco Master, apontando influência política de Cláudio Castro para viabilizar os aportes.
Pontos principais
- A operação Compliance Zero apura gestão fraudulenta em aportes de R$ 3,6 bilhões do Rioprevidência e da Cedae no Banco Master.
- Investigações apontam que Cláudio Castro teria exercido influência política para facilitar os aportes financeiros no banco.
- O esquema envolveria a nomeação estratégica de diretores no fundo de previdência para contornar normas regulatórias.
- O empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, delator da Lava-Jato, é investigado por intermediar o esquema entre Castro e Daniel Vorcaro.
- A PF identificou encontros frequentes entre Castro e Vorcaro, com indícios de que o banqueiro custeou viagens e reuniões privadas.
- A empresa Mídias Promotora Ltda, ligada a Rodrigues, teria recebido R$ 126 milhões para distribuir comissões ilícitas.
- O ministro do STF, André Mendonça, autorizou mandados de busca e apreensão contra o ex-governador em sua residência.
- Esta é a segunda operação da PF contra o ex-governador em menos de duas semanas, após investigações sobre o Grupo Refit.
- O Banco Master foi liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado devido a suspeitas de fraudes e falta de liquidez.
- Documentos do TCE-RJ e do Ministério da Previdência Social reforçam as suspeitas de gestão em desconformidade com normas prudenciais.
- Lideranças do PL avaliam que a associação com o caso tornou a candidatura de Castro ao Senado politicamente inviável.
- O ex-presidente Jair Bolsonaro será o responsável por definir o nome que substituirá Castro na chapa do PL.
A Polícia Federal deflagrou a oitava fase da operação Compliance Zero, focada no ex-governador do Rio de Janeiro, Cláudio Castro. A ação, que cumpriu mandados de busca e apreensão autorizados pelo ministro do STF André Mendonça, investiga irregularidades e gestão fraudulenta em aportes bilionários realizados pelo Rioprevidência e pela Cedae no Banco Master. O inquérito apura crimes contra o sistema financeiro, corrupção passiva, lavagem de dinheiro e associação criminosa, revelando ainda tentativas de espionagem e vazamentos de informações sigilosas dentro da própria corporação policial. Esta é a segunda operação da PF contra o ex-governador em menos de duas semanas, após investigações sobre o Grupo Refit.
Novos elementos colhidos pela PF indicam que o empresário Ricardo Siqueira Rodrigues, delator da Lava-Jato, atuou como intermediário para alinhar os interesses entre Castro e o banqueiro Daniel Vorcaro. Segundo os investigadores, o ex-governador mantinha um alinhamento político estreito com Vorcaro, com encontros frequentes onde o banqueiro teria custeado viagens e reuniões privadas. A análise de dispositivos apreendidos reforça a tese de que os investimentos foram viabilizados por meio da nomeação estratégica de diretores no fundo previdenciário, contornando normas regulatórias e contrariando as políticas conservadoras de investimento do Regime Próprio de Previdência Social.
O Ministério Público Federal destacou que o Banco Master, liquidado pelo Banco Central em novembro do ano passado por suspeitas de fraudes e falta de liquidez, não possuía cobertura do Fundo Garantidor de Créditos (FGC). Documentos do TCE-RJ e do Ministério da Previdência Social reforçam as suspeitas de gestão em desconformidade com normas prudenciais, apontando uma concentração excessiva de recursos na instituição. Paralelamente, a CVM já havia multado Ricardo Siqueira Rodrigues em R$ 53,3 milhões por fraudes em projetos imobiliários financiados por fundos de previdência, evidenciando um padrão de atuação do empresário no mercado financeiro.
Especialistas alertam que o governo estadual pode ser forçado a cobrir eventuais perdas bilionárias ou elevar a contribuição previdenciária dos servidores para sanar o rombo. Em sua defesa, o Rioprevidência nega irregularidades, sustentando que as aplicações seguiram estratégias técnicas de diversificação. Além das implicações financeiras e jurídicas, a operação gerou um impacto direto no cenário político fluminense. A cúpula do PL avalia que a candidatura de Cláudio Castro ao Senado tornou-se inviável diante da toxicidade das denúncias, cabendo ao ex-presidente Jair Bolsonaro definir o substituto na chapa.
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