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Investigação apura elos entre família Bolsonaro e banqueiro Daniel Vorcaro

PF e Receita investigam financiamento de R$ 61 milhões do Banco Master para filme sobre Bolsonaro, que traz teorias sobre fraude eleitoral e o STF.

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Foto: Intercept Brasil
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21/05 às 07:04 · atualizado há 1m

Pontos principais

  • O banqueiro Daniel Vorcaro é investigado pelo financiamento de R$ 61 milhões para o filme 'Dark Horse'.
  • A Polícia Federal e a Receita Federal apuram se o dinheiro transitou por paraísos fiscais antes de chegar à produtora GoUp.
  • O filme retrata a trajetória de Jair Bolsonaro e inclui insinuações de fraude nas eleições de 2022.
  • O roteiro apresenta um personagem que seria uma representação negativa do ministro Alexandre de Moraes.
  • Mensagens indicam que Vorcaro pressionou o Portal Leo Dias para remover reportagens críticas sobre a produção em agosto de 2025.
  • Relatórios do Coaf apontam transferências milionárias do Banco Master para empresas ligadas aos sócios do portal.
  • Flávio Bolsonaro confirmou encontros com o banqueiro, que na época cumpria medidas cautelares.

A investigação sobre o financiamento do filme 'Dark Horse', que narra a trajetória de Jair Bolsonaro, expandiu-se para incluir apurações da Polícia Federal e da Receita Federal sobre possíveis crimes de evasão fiscal. Suspeita-se que o montante de R$ 61 milhões, investido pelo banqueiro Daniel Vorcaro, tenha sido movimentado por meio de fundos em paraísos fiscais antes de ser repassado à produtora Go Up Entertainment. Além das questões financeiras, o conteúdo da obra entrou no radar das autoridades, pois o longa mistura fatos reais com teorias conspiratórias, incluindo insinuações de fraude eleitoral em 2022 e uma representação velada do ministro Alexandre de Moraes, do STF, retratada de forma negativa.

O controle da narrativa midiática sobre o projeto também é alvo de escrutínio. Documentos revelam que Vorcaro exerceu pressão sobre o Portal Leo Dias para a remoção de reportagens críticas sobre o filme em agosto de 2025. Relatórios do Coaf identificaram transferências milionárias do Banco Master para empresas ligadas aos sócios do portal, Thiago Miranda e Leo Dias. A situação ganhou contornos mais graves após a rejeição da delação premiada de Vorcaro pela PF e a confirmação, por parte do senador Flávio Bolsonaro, de encontros com o banqueiro durante o período em que este cumpria medidas cautelares, intensificando a investigação sobre as relações entre o núcleo bolsonarista e o setor financeiro.

Fonte primária

The Intercept Brasil

Áudios, mensagens e comprovantes da negociação Flávio Bolsonaro–Vorcaro para o filme 'Dark Horse'

Mensagens de WhatsApp trocadas entre dezembro de 2024 e novembro de 2025, um áudio de Flávio Bolsonaro, um comprovante de transferência internacional de US$ 2 milhões e uma planilha intitulada 'Funding Schedule Havengate Dev Fund', obtidos com exclusividade, indicam que Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, se comprometeu a repassar US$ 24 milhões (cerca de R$ 134 milhões à época) para financiar 'Dark Horse', o filme biográfico sobre Jair Bolsonaro. Pelo menos US$ 10,6 milhões (cerca de R$ 61 milhões) foram pagos entre fevereiro e maio de 2025 em seis operações; os documentos não mostram os outros oito repasses previstos. O dinheiro saiu da Entre Investimentos e Participações para o fundo Havengate Development Fund LP, sediado no Texas e tendo como agente legal o escritório de Paulo Calixto, advogado de Eduardo Bolsonaro. A negociação foi conduzida diretamente por Flávio, com intermediação de Eduardo Bolsonaro, do deputado Mario Frias, do empresário Thiago Miranda e de Fabiano Zettel, apontado como operador financeiro de Vorcaro. Em 16/11/2025, véspera da prisão do banqueiro, Flávio escreveu: 'Irmão, estou e estarei contigo sempre, não tem meia conversa entre a gente. Só preciso que me dê uma luz!'. Em áudio de 8/9/2025 cobrava o saldo pendente para não 'dar calote' no ator Jim Caviezel e no diretor Cyrus Nowrasteh: 'agora que é a reta final que a gente não pode vacilar... senão a gente perde tudo'. Questionado pela reportagem antes da publicação, Flávio negou: 'De onde você tirou essa informação? É mentira'.

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