A gestora IG4 concluiu o acordo para assumir o controle da Braskem e anunciou a nova equipe de gestão, mas analistas veem potencial limitado para minoritários.
A gestora IG4 finalizou o acordo vinculante para assumir o controle da Braskem. A Braskem informou a assinatura do contrato de venda pela Novonor (antiga Odebrecht) de sua participação na petroquímica. A operação envolve a venda de ações da Novonor e NSP Investimentos que representam 50,1% das ações ordinárias e 34,3% do capital social total da Braskem ao fundo Shine I FIP, assessorado pela IG4 Capital. O contrato estabelece a conversão de dívida da Novonor em equity, com um veículo da IG4 administrando as ações, e prevê que o fundo Shine I FIP será responsável por requerer e protocolar junto à CVM o pedido de registro de oferta pública para a aquisição de até a totalidade das ações em circulação da Braskem. A aprovação da Comissão Europeia foi uma etapa condicionante superada para a conclusão do negócio.
Com a conclusão da operação, a IG4 Capital passará a dividir o controle da Braskem com a Petrobras, o segundo maior acionista, e um novo acordo de acionistas redefinirá a governança da empresa. A transação, que envolve cerca de R$ 20 bilhões em dívidas garantidas por ações da Braskem, pode contribuir significativamente para a redução do alto endividamento da Novonor. A IG4 planeja apresentar um novo plano de reestruturação assim que assumir a gestão da Braskem, em uma operação que representa a maior transação da gestora e pode ser um dos maiores turnarounds globais.
Para comandar a petroquímica, Helcio Tokeshi, sócio da IG4 e ex-secretário do Ministério da Fazenda, será o novo CEO. Carlos Brandão, ex-CEO da Iguá Saneamentos e CFO da Oi, assumirá como CFO. Camila Tapias será responsável pela diretoria jurídica, compliance e ESG, enquanto Luiz Rossato cuidará do planejamento estratégico e M&A. Hélio Novaes será o vice-presidente do conselho da Braskem.
No entanto, analistas de grandes bancos como Citi, BTG Pactual, UBS BB e JPMorgan avaliam que a mudança de controle, embora encerre um impasse societário, oferece potencial limitado de valorização para acionistas minoritários e não elimina riscos. A Braskem encerrou 2025 com dívida líquida ajustada de US$ 7,5 bilhões e patrimônio líquido negativo em R$ 16,5 bilhões. A subsidiária mexicana Braskem Idesa enfrenta problemas de dívida e negocia uma reorganização, podendo pedir Chapter 11. A Petrobras ainda avalia se exercerá seu direito de preferência sobre as ações da Braskem, e a Oferta Pública de Aquisição (OPA) para minoritários é considerada pouco atrativa devido à estrutura de pagamento com debêntures da NSP Investimentos.
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