A Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP) firmaram parceria para combater o crime organizado transnacional, focando no tráfico de armas e drogas e compartilhamento de informações.

O governo brasileiro, por meio do Ministério da Fazenda, anunciou uma parceria estratégica entre a Receita Federal e o U.S. Customs and Border Protection (CBP) dos Estados Unidos. O ministro da Fazenda, Dario Durigan, foi o responsável pelo anúncio da colaboração, denominada Projeto MIT (Mutual Interdiction Team), que tem como objetivo principal o combate ao crime organizado transnacional. A iniciativa foca na integração de inteligência e na realização de operações conjuntas para interceptar remessas ilícitas de armamentos e entorpecentes, especificamente o tráfico de armas e drogas. Durigan destacou que o compartilhamento qualificado de informações permitirá ações articuladas na origem e destino das cargas ilícitas, e pode se reunir com autoridades norte-americanas em Washington para discutir a cooperação internacional.
A parceria prevê o compartilhamento digital de informações sobre apreensões em aduanas para identificar padrões e rotas ilícitas. O acordo inclui o lançamento do Programa Desarma, um sistema informatizado da Receita Federal para rastreamento internacional de armas e materiais sensíveis, permitindo o compartilhamento de informações em tempo real. O secretário da Receita Federal, Robinson Barreirinhas, mencionou o aumento de apreensões de peças de armas devido ao uso de raio-x e a estratégia de organizações criminosas. O sistema Desarma já identificou 35 ocorrências e apreendeu 1.168 partes e peças de armas nos últimos 12 meses, principalmente da Flórida. O diretor-geral da PF, Andrei Rodrigues, informou sobre apreensões de armas e mais de 1,5 mil toneladas de drogas sintéticas e haxixe vindas dos EUA no primeiro trimestre de 2026. O modelo do Desarma pode ser aplicado no combate a outros crimes, como o tráfico de drogas, com aumento significativo nas apreensões no Aeroporto de Guarulhos.
A iniciativa é um desdobramento do diálogo entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva e Donald Trump, inserindo-se em uma agenda bilateral mais ampla. O anúncio ocorre em um contexto de discussões nos EUA sobre a possível classificação de facções criminosas brasileiras, como PCC e Comando Vermelho, como grupos terroristas. Apesar da pressão, a Casa Branca argumenta que a designação de terrorismo é reservada a grupos que ameaçam a segurança interna dos EUA, o que não se aplicaria às facções brasileiras, e o Brasil se opõe a essa classificação.
InfoMoney • 10 abr, 17:50
Agência Brasil - EBC • 10 abr, 14:22
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