A campanha eleitoral para a presidência do Peru chegou ao fim com um recorde de 35 candidatos, refletindo uma profunda crise política que levou a nove presidentes em uma década. Nenhum dos postulantes demonstra ter votos suficientes para evitar um segundo turno, com as pesquisas apontando Keiko Fujimori como a favorita, embora a disputa pelo segundo lugar esteja acirrada entre Carlos Álvarez e Rafael López Aliaga. Os eleitores peruanos estão exaustos de uma crise política que resultou em oito presidentes em 10 anos, com todos os presidentes eleitos neste século envolvidos em escândalos de corrupção ou tentativas de autogolpe.
Em um cenário de exaustão eleitoral e discursos radicais, muitos candidatos prometem reprimir o crime, frequentemente associando-o à imigração irregular. Keiko Fujimori, filha do ex-presidente Alberto Fujimori, baseia sua campanha em referências ao pai e propostas de controle de fronteiras. Outros candidatos, como Rafael López Aliaga, da direita cristã, propõem medidas extremas como a expulsão de imigrantes irregulares e o isolamento de criminosos em prisões na floresta, enquanto Carlos Álvarez defende a volta da pena de morte. A instabilidade é atribuída a um sistema político híbrido e à fragilidade dos partidos, resultando em governos sem maioria parlamentar e frequentes destituições.
A fragmentação política é resultado de um sistema híbrido que alimenta a instabilidade, levando a sucessivas trocas de presidentes. Desde 2016, presidentes como Pedro Pablo Kuczinzky, Pedro Castillo e Dina Boluarte foram destituídos devido à falta de maioria parlamentar e trâmites rápidos de impeachment. Atualmente, José María Balcázar governa interinamente após a destituição de Dina Boluarte e José Jerí, e a instabilidade política no Peru é contínua, com um cenário que não indica melhora no futuro próximo.
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