Uma pesquisa do Dieese revela que São Paulo possui mais de 12,6 mil trabalhadores ambulantes, em sua maioria informais, com longas jornadas e renda abaixo da média da capital.
Uma pesquisa inédita do Dieese revela a realidade dos trabalhadores ambulantes na cidade de São Paulo, apontando a existência de mais de 12,6 mil pessoas atuando em 12.377 bancas. O estudo destaca que a maioria desses trabalhadores opera na informalidade, sem a devida autorização municipal, enfrentando longas jornadas de trabalho e recebendo uma renda significativamente inferior à média da capital. A dependência dessa atividade é alta, com 80% dos ambulantes tendo nela sua única fonte de sustento, e a maioria não manifesta desejo de mudar de profissão.
O perfil dos ambulantes é predominantemente masculino (63%), com idade entre 31 e 50 anos (40%) e autodeclarados pretos ou pardos (53%). Um dado relevante é a presença de 31% de imigrantes, vindos de cerca de 30 nacionalidades, principalmente da América do Sul, que se encontram em situação ainda mais vulnerável. Apenas 39% dos trabalhadores possuem permissão da prefeitura, e a falta de regularização é atribuída à burocracia e aos altos custos envolvidos. A jornada de trabalho é exaustiva, com 44% dos ambulantes trabalhando mais de 44 horas semanais, e a remuneração média de R$ 3 mil contrasta com a média salarial dos demais ocupados na cidade.