Fundos de crédito privado nos EUA enfrentam suspensão de resgates e inadimplência, gerando questionamentos sobre riscos para o mercado brasileiro de FIDCs, apesar das diferenças regulatórias.
Problemas recentes em fundos de crédito privado nos Estados Unidos, como os geridos por Blue Owl, KKR e Apollo, com suspensão de resgates e aumento da inadimplência, acenderam um alerta no mercado financeiro. O caso da Blue Owl Capital Corp II (OBDC II) ilustra uma falha crítica: a promessa de liquidez trimestral a investidores de varejo para ativos inerentemente ilíquidos, um desalinhamento que gerou dificuldades.
No Brasil, o equivalente a esses fundos são os FIDCs (Fundos de Investimento em Direitos Creditórios), que, no entanto, possuem uma estrutura mais robusta e segura. A regulação da CVM (Resolução 175) proíbe a promessa ilusória de liquidez sobre ativos ilíquidos, e a maioria dos FIDCs brasileiros é de veículos fechados, o que mitiga riscos. Embora o Brasil já tenha enfrentado problemas pontuais em FIDCs abertos, especialistas ressaltam que o "private credit" americano difere do brasileiro, que se concentra em debêntures e títulos bancários, enquanto nos EUA foca em empresas de médio porte com baixa liquidez. Para investidores, a recomendação é buscar alinhamento de prazos, preferir veículos fechados e exigir transparência e sobregarantia.