As fortes chuvas na Zona da Mata Mineira causaram 65 mortes e quatro desaparecidos, com especialistas atribuindo a tragédia à negligência climática e falhas no planejamento urbano e sistemas de alerta.

A Zona da Mata Mineira enfrenta uma situação crítica devido às fortes chuvas, que já causaram a morte de 65 pessoas, sendo 59 vítimas em Juiz de Fora e seis em Ubá. As equipes de resgate, com cerca de 120 profissionais do Corpo de Bombeiros e o reforço do Exército, continuam as buscas por quatro desaparecidos. Milhares de moradores foram forçados a deixar suas casas, com cerca de 4,2 mil desabrigados e desalojados em Juiz de Fora, 1,2 mil em Ubá, e 810 em Matias Barbosa. A prefeitura de Juiz de Fora oferece auxílio funeral e aluguel social às famílias afetadas, e a prefeita Margarida Salomão ressaltou que um quarto da população da cidade reside em áreas de risco.
Em meio à tragédia, sobreviventes e especialistas da Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) têm levantado questionamentos sobre a eficácia do sistema de alertas e a ausência de um plano de contingência claro para a população. Moradores como Danilo Frates, do Jardim Parque Burnier, relatam não ter recebido avisos ou sirenes de alerta. Especialistas sugerem aprimorar a comunicação, organizar rotas de fuga e abrigos, e considerar a realocação habitacional em áreas de alto risco. A secretária Cidinha Louzada defende o sistema de alerta por celular, mas reconhece a dificuldade em fazer as pessoas deixarem suas casas e a burocracia em obras de contenção.
Especialistas apontam que os temporais devastadores em Juiz de Fora e Ubá são reflexo da negligência com as mudanças climáticas e a falta de políticas públicas e planejamento urbano adequado. O geógrafo Miguel Felippe (UFJF) critica a onda negacionista e a falta de políticas públicas ambientais, que considera um entrave ao desenvolvimento econômico. A urbanização desordenada, impulsionada pelo capital imobiliário, empurra populações de baixa renda para áreas de risco, que são as mais afetadas. Marcelo Seluchi (Cemaden) explica que o aquecimento do Oceano Atlântico intensifica as chuvas na região, tornando eventos extremos mais frequentes. Além disso, houve cortes expressivos nos recursos para a Defesa Civil de Minas Gerais entre 2023 e 2025, coincidindo com o governo de Romeu Zema.
Diante da calamidade, a solidariedade tem se manifestado de diversas formas, com voluntários de Piracicaba e estudantes de medicina de Juiz de Fora prestando ajuda humanitária. O governo federal tem prestado apoio à região, com o ministro Waldez Góes visitando as áreas afetadas e equipes do Gade e da Força Nacional do SUS permanecendo no estado. O Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional autorizou o repasse de R$ 6,196 milhões para sete municípios atingidos, e a Defesa Civil Nacional reconheceu o estado de calamidade pública em Juiz de Fora, Ubá e Matias Barbosa, o que permite o acesso a recursos federais para auxiliar na recuperação. Matheus Martins (UFRJ) sugere soluções de engenharia como pôlderes e a criação de parques públicos em áreas de várzea para aumentar a resiliência das cidades, enquanto a prefeitura de Juiz de Fora tem projetos de macrodrenagem e contenção de encostas com recursos federais aprovados, mas a liberação e execução são lentas.
Agência Brasil - EBC • 27 fev, 19:15
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