As fortes chuvas na Zona da Mata mineira elevaram para 46 o número de mortos, com Juiz de Fora e Ubá sendo as cidades mais afetadas, e o Inmet emitiu alerta de grande perigo para continuidade das chuvas intensas.



A Zona da Mata de Minas Gerais enfrenta um cenário devastador após intensas chuvas entre 23 e 24 de fevereiro, que elevaram o número de mortos para 46. Juiz de Fora é a cidade mais afetada, com 40 mortos, 3 mil desabrigados e 400 desalojados. Em Ubá, foram registradas seis mortes, dois desaparecidos, 26 desabrigados e 178 desalojados. Matias Barbosa, cidade vizinha aos municípios mais atingidos, também sofre com alagamentos e decretou estado de calamidade pública. As buscas continuam em oito áreas, com pelo menos 21 pessoas ainda desaparecidas, e cerca de 500 homens, incluindo bombeiros e tropas especializadas, estão empenhados nas operações de busca e resgate.
Diante da tragédia, o governo federal reconheceu o estado de calamidade pública em Juiz de Fora, com publicação no Diário Oficial da União, permitindo o início imediato de socorro e ajuda humanitária. O presidente Lula determinou o envio da Força Nacional do SUS e da Defesa Civil Nacional para a cidade, com oito técnicos especialistas já enviados para acelerar as ações de assistência e reconstrução. As equipes federais atuarão na assistência humanitária, restabelecimento de serviços e apoio à reconstrução das áreas afetadas. O governo de Minas Gerais decretará luto oficial de três dias em todo o estado, e a prefeitura de Juiz de Fora também decretou luto oficial pelo mesmo período.
Fevereiro de 2026 se tornou o mês mais chuvoso da história de Juiz de Fora, registrando 589 milímetros de chuva, o dobro do volume esperado e 240% acima da média. As chuvas extremas foram causadas por uma rara e severa supercélula, um tipo de tempestade isolada, duradoura e altamente organizada. O transbordamento do Rio Paraibuna causou inundações generalizadas, soterramentos, áreas alagadas, bairros ilhados, deslizamentos, quedas de árvores e o desabamento de dois prédios. Para reforçar o atendimento, equipes da Força Nacional do SUS, Suas e Ministério da Saúde serão mobilizadas para Juiz de Fora e Ubá, levando kits de emergência e atuando no diagnóstico, primeiros cuidados e apoio psicológico às vítimas.
Recursos emergenciais de R$ 38 milhões para Juiz de Fora e R$ 8 milhões para Ubá já foram liberados, com garantia de apoio federal para reconstrução. Além disso, o governo federal anunciou um repasse de R$ 800 por pessoa desabrigada para as prefeituras comprarem itens de primeira necessidade. O governador Romeu Zema alertou para a necessidade de ajuda humanitária organizada e segura, pedindo que as doações sejam feitas exclusivamente pelos canais oficiais do governo estadual, como a campanha SOS Águas coordenada pelo Servas. A CEMIG registrou 22 mil imóveis sem energia, e geradores estão sendo enviados para restabelecer o serviço, enquanto o CREA-MG avalia estruturas comprometidas.
A situação de alerta se estende a outras regiões do país, com o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitindo um aviso vermelho de Grande Perigo para acúmulo de chuvas intensas para os próximos dias até 27 de fevereiro em áreas de Minas Gerais, Bahia, São Paulo, Espírito Santo e Rio de Janeiro. O Inmet prevê chuvas superiores a 60 mm/h ou 100 mm/dia, com alto risco de alagamentos, transbordamento de rios e deslizamentos. O Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden) alerta para alta possibilidade de enxurradas e inundações em Juiz de Fora devido à saturação do solo e previsão de mais chuvas, considerando muito alta a possibilidade de novas ocorrências.
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